Para aquelas manhãs regadas de bom senso e café!

Estive pensando, há tempos os relacionamentos são levados à um novo patamar. Não é por mal, mas os conceitos e as expectativas das pessoas tornam tudo um tanto quanto complicado… Demasiadamente complicado.

Não costumo ser nostálgica quando penso em relacionamentos que deram certo ou que deram errado, não penso no passado, até porque meus relacionamentos hoje vivem em um nível que não há o que inventar, eles tiveram seu prazo de validade e se esgotaram com o tempo. Mas, de uns tempos pra cá, sinto que existe um check-list mágico na mente de cada pessoa, onde quem vale mais dentro dos quesitos x, y e z, ganha aquele ‘amor’.

As fotos nas redes sociais têm mais valor que o sentimento que você pode carregar dentro do peito.

Mas amor não é isso, pelo menos foi o que meus pais me ensinaram!

Meus pais me ensinam diariamente que o amor não se sucumbe. Tem dias que eu não tenho paciência para sentimentalidades, mas o amor não é viver em constante alegria, o eufemismo está na insensatez de acreditar que as pessoas precisam viver constantemente em alegria. Amor é respeitar o tempo do outro, para que este outro saiba que, no momento certo, é com você que ele pode contar.

São 30 anos de casados, duas filhas, um cachorro e algumas discussões. Meu pai nunca saiu de casa, minha mãe nunca falou em separação. Eles discutem, se resolvem, meu pai abraça minha mãe e ela ri ao mesmo tempo que chora, eles se abraçam e toda a melosidade volta ao normal. A briga é por conta da toalha em cima da cama, da louça que está suja na pia ou da bagunça constante de alguém, que pode ser, tanto minha quanto do meu pai. Não é por menos. Não é por mais. É pela rotina, que eles fogem quando viajam juntos e que eles vivem, não por acharem que não podem fazer algo diferente, eles estão juntos. Todos os dias. E se amam por isso.

Amor é poder contar com o outro. As vezes na invasão de querer saber o que afeta tanto aquele ser, mesmo quando é o silêncio que reina e, nas vezes que, em um abraço se acalma a alma. Amor é na inutilidade do outro e mesmo assim, você querer ainda estar lá.

Amor não é da noite para o dia, é no tempo. E o tempo leva tempo. O tempo não tem pressa, não é ansioso e muito menos afobado. Ele senta e espera, mesmo quando não pode fazer muito. Ele espreita as lacunas que ele mesmo causa e às vezes, ele consegue. Ele chega sorrateiro e conquista. As amizades são construídas com o tempo. Os relacionamentos também o são. E o amor? Igual. Mesmo correndo o risco de muitas vezes nem chegar. Nem aparecer. Se atrasar. Se perder. Se esgotar.

Estive pensando: se existe um novo patamar de amor, onde são as expectativas dos outros que definem o que é certo e errado, onde se encontra aquele amor que nós somos programados à acreditar? Aquele que chega do nada? Apenas os afortunados tiveram a chance de experimenta-lo ou, em um mundo onde a foto bonita com tantas curtidas é mais valiosa que o que se sente, as coisas ficaram confusas demais?

Talvez eu só esteja bebendo muito café ou curtindo fotos demais para saber: amor é mais do que a gente está designado a acreditar.

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