She’s gotta have it: uma série sobre ser mulher e desatar nós

Quando você procura pelo título da série “She’s gotta have it” no google as primeiras sinopses te levam para: uma mulher bem sucedida que tem três amantes e não consegue escolher com qual ficar.

Fui pega de surpresa porque comecei a assistir à série sem ter lido nada sobre ela antes e fiquei realmente chocada, ao procurar, ao final da primeira temporada, o tipo de descrição que aparece: banal e fútil. Foi por isso que resolvi escrever algumas palavras sobre “Ela quer tudo”, tradução bem rasteira e superficial para o português que nos encaminha para a mesma impressão de comédia romântica clichê com uma mulher indecisinha sobre com que homem ela quer ficar.

Minhas deusas, a série não é sobre isto! É justamente sobre o contrário do que o título em português e as sinopses enjambradas fazem parecer! É muito difícil de escrever qualquer coisa aqui sem dar spoiler — embora eu ache que qualquer coisa que eu dissesse não seria capaz de traduzir o tapão de realidade (consideradas as especificidades do que é a realidade de uma mulher negra norte-americana nova-iorquina)que é a história de Nola Darling, a protagonista mulher, feminista, negra, artista e fodona da série.

Nola Darling não quer tudo. Tudo que ela quer é encontrar a si mesma e ser livre e independente sem o apagamento “natural” que as relações com homens impõem com seus poderes, no melhor estilo “um homem não me define, minha casa não me define, eu sou o meu próprio lar”.

A série é sobre ser mulher e querer andar por aí fazendo o que bem entende sem ser violentada. É sobre encontrar incompletudes e medos em seus parceiros. É sobre como são tratadas mulheres negras (novamente em um contexto bem específico). É sobre ser mulher e não querer só escapar dessa porra toda, mas florescer.

Toda essa narrativa é costurada com uma fotografia maravilhosa e uma trilha sonora de tirar o fôlego: muita, muita poesia! Poucas vezes vi o ponto de vista feminino ser tão bem trabalhado e explorado em vídeo como em “Isto é dela e ninguém tasca!” — tradução que eu inventei agora pra caber melhor no espírito da coisa!

Assistam e inspirem-se!

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