Os ciclos completos

Consigo traçar a linha que me trouxe até aqui. Vislumbro uma versão jovem de mim mesma encantada com todas as possibilidades, o mundo era possível, e eu invencível. Era o começo de uma jornada. Era pouco, mas era incrível porque era potência.

Tanta coisa me trouxe aqui. O que sou hoje quase não reconheceria aquela menina que chegou com mochila nas costas sem ter onde dormir. Era tanta coragem. Hoje ainda tem coragem. Eu acho pelo menos. As provas já não são as mesmas então os tipos de coragem também não são.

Mas o debate não é sobre o que restou de mim. Falo sobre a sensação de ciclos que se encerram. Foram tantos anos ocupando e construindo esse espaço. Tudo que se poderia fazer foi feito e por isso não há arrependimentos, só fica a gratidão. Não de uma missão que foi cumprida e então estou dispensada para nunca mais olhar para trás, mas sim de uma que sempre poderei voltar. As amizades e as lutas são sólidas porque se construíram numa jornada completa. Encerrar esse ciclo significa enxergar aqui como lugar, embora esteja livre para estar em qualquer outro.

A linha que consigo traçar até o momento da construção do que sou é repleta de histórias. Ela é temporal, mas também geográfica, como não poderia deixar de ser. Nunca mais serei a mesma porque estive aqui e aqui está em mim. Se estivesse em outro lugar então seria outra. Esse espaço me habita não como uma passagem rápida e transitória, mas sim como vida, como quem acredita.

Por mais perdida que esteja nesse fim de ciclo, por mais vazio que sinta. Este ciclo está encerrado e eu estou pronta para o novo. Existe abertura diante das possibilidades. Me deparo na encruzilhada entre o antigo e o novo, quase sendo esmagada por suas fronteiras. Há uma necessidade de resistência. Mas sempre teve, não é mesmo? A diferença é que agora estou um pouco mais só, um pouco mais racional e um pouco mais triste.

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