Doce

Thaise
Thaise
Jul 30, 2017 · 2 min read

Véspera de feriado

Resolvi que seria uma boa ideia te conhecer

Você tinha um semblante ingênuo

Mas nessa estória

Eu fui a ingênua

Você de primeira quis que eu fosse

Pra sua casa

“Eu te faço o jantar”

Que doce, pensei

Mas achei que seria mais adequado

“Uma cerveja antes?”

E fomos lá naquela rua que hoje eu passo olhando pro chão

Eu cheirava meu melhor perfume

Maquiagem

Lingerie

Era um voto de confiança

Depois de quatro meses em inércia

Finalmente algum pontapé

Para meu mundo girar novamente

Você conhecia o nome dos garçons

Que doce

“Vamos lá pra casa?”

Pensei um pouco

Eu não era dessas coisas de primeiro encontro

Aceitei

Um voto de confiança

Chegamos lá e a chama acendeu

Eu pedia

“Vamos com calma”

E você fazia que sim com a cabeça

E continuamos indo

Mas tudo o que você fazia não tinha calma

Era violento

Doía

“Pare”

Era sincero meu pedido

Mas te ensinaram que quando a gente diz

Não

É porque estamos gostando

Eu não estava

Não estamos

Eu não gostei

Doeu

Me esvaziou

Você saiu de cima de mim

Como quem olha para uma obra de arte

Que acabara de ser finalizada

Ali estava eu

Sua monalisa

Sem expressão alguma

Que doce

Me lambuzou inteira

E agora eu me sentia melada

Fui pra casa

Chorei

Me senti fraca por chorar

Não era nada demais foi somente

Um sexo ruim

Mas depois eu entendi

Não era doce

Era amargo

Tão amargo quanto o gosto das dipironas

Sádicas

Que eu engoli para esquecer

Esse voto de confiança


Carioca, 23 anos, fala muito mais do que escreve.

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