O que as crianças têm para nos ensinar?

Ou o porquê devemos ser mais honestos com nossos próprios sentimentos.

A primeira coisa que uma criança faz quando recebe um estímulo externo é responder. A resposta ninguém nunca espera, ou está preparado para receber – você pode dar um brinquedo e ela chorar, ou pode dar algum sermão e ouvir gargalhadas de retorno. Eu inclusive, passei minha infância ouvindo a história de quando eu ganhei uma boneca que era a “melhor boneca da época” e simplesmente chorei, e ninguém entendeu o porquê.

Eu gosto de pensar que seres humanos, como seres emocionais, trabalham como um prisma, tipo aquela imagem que ficou famosa como capa do The Dark Side of The Moon, do Pink Floyd, entra uma coisa, a gente processa e libera pra fora na forma de colorido.

Mas essa é a imagem ideal de ser humano. Não da nossa atual situação, das desgraças de cabeça, da sociedade tomada por preconceitos e ódios e rivotris. Quando eu vejo esse prisma, eu penso em crianças.

Crianças são seres tão incríveis, despidos de pudores morais, que são capazes de terem honestidade emocional, coisa que nós adultos, trabalhamos muito para alcançarmos.

Evitamos dizer/transmitir/transbordar o que é processado dentro de nós, com medo do que aquilo pode acarretar. E ao tentarmos conviver pacificamente uns com os outros, criamos guerras e confusões internas.

Olhamos tanto para o futuro, buscando que ele seja o menos doloroso possível, que esquecemos que a coragem é o que constrói o futuro. E portanto, a proteção que buscamos ao não expressarmos o que sentimos é aquilo que pode vir a magoar mais ainda o outro.

Temos que aprender a chorar mais quando recebemos a melhor boneca do mercado, porque não é pecado nenhum reagir de forma adversa às coisas. Pecado é não mostrar as cores de nossos prismas.