Dilemas diários

É, às vezes cansa! No meu caso é um cansaço antigo, daqueles de outros tempos. Uma quase nostalgia de uma fase que nunca me pertenceu. A dita e abençoada infância. Um mundo de inocência e poucas preocupações. Um mundo sem espaço para as racionalizações.

Eu não lembro quando eu virei adulta, nas minhas últimas sessões de terapia esse tema tem sido uma constante. Com uma resposta mais do que óbvia. Fui obrigada a ser adulta muito cedo.

A verdade crua e dura é que chega um momento em que cansamos. Eu cansei. Eu queria ser irresponsável, imatura, inconsequente. Eu queria julgar menos os outros por terem uma liberdade que claramente eu invejo. O julgamento alheio nada mais é do que julgamento pessoal. Eu queria, por um dia, ser livre das amarras que o tempo me impôs. Mas essa é a minha personalidade, minha construção. Eu nunca serei esse outro ser.

Não que seja ruim, somos o que somos. Minha construção me trouxe vantagens. Tudo vem com prós e contras, essa é mais cruel das realidades. A plenitude nada mais é do que um conceito. Eu poderia ser frágil demais, sonhadora demais, dependente demais. O meio termo parece agradável, mas como eu poderia saber.

A vida é isso que somos. Essa construção diária de tijolinhos. Essa realidade arbitrária. Essa luta constante pela manutenção da tão idealizada sanidade.

No fim, e por fim, me conformo que nunca serei livre das amarras que eu mesma criei. Jamais agirei apenas emocionalmente, jamais serei impulsiva a ponto de não medir todas as consequências de meus atos. Jamais me rebelarei drasticamente contra tudo e todos que de certa forma me fizeram desse jeito. Descobri que há uma liberdade interessante no amadurecimento e na conclusão de podemos ser superiores. Aceitar fardos que não nos pertencem e mesmo com as adversidades diárias encontrar alternativas para sorrir livremente.

Mais um texto desabafo, mais um dia, mais uma hora, mais um minuto, mais um segundo dessa vida insana, real, lógica e material. :)

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