
#IstoÉMachismo
A mídia sempre foi o quinto poder. Por anos, um poder enorme concentrado nas mãos de duas ou três famílias, que emitiam para a massa um único ponto-de-vista sobre o mundo: o dos homens heterossexuais brancos de classe A.
A internet mudou tudo e mudou isso também. Hoje, qualquer pessoa com um celular na mão torna-se produtora e disseminadora de informação. Sim, o textão do Facebook é muito poderoso. No blog, no podcast, no twitter, na conversa no Whatsapp, estamos participando de algo inédito do mundo: nós somos o quinto poder agora. A mídia somos nozes.
Essa talvez tenha sido a mudança estrutural que fez com que viesse às claras o jogo de propina-caixa-dois-comércio-de-cargos que se joga na política brasileira desde a época do Império. Se o jogo foi sempre esse, algo mudou para que pessoas como Marcelo Odebrecht estejam indo presas. Algo mudou para que o povo vá às ruas pedir mudanças. Algo mudou quando, no #OcupaEscola, os alunos impediam as invasões da polícia usando seus celulares como armas.
Quando um poder muda da mão de poucos para as mãos de muitos, isso muda tudo.
A Istoé desta semana mostrou que não percebeu nada disso. Tentou jogar o novo jogo com as regras do passado. Pior, ignorou que a democratização da informação dá voz a quem nunca teve: as mulheres, os negros, os gays, as pessoas da periferia. O ponto de vista dos homens, brancos, hetero, cis, classe A aos poucos vai deixando de ser o único que vale.
Se fica uma lição para nós, que seja essa: façamos diferente. Não subestimemos a força das minorias. Chequemos as fontes. Não tentemos distorcer fatos. Embasemos nossos argumentos com números. Usemos com responsabilidade o poder que está em nossas mãos.