do brônquios

durmo no seu colo de pluma. 
mesmo que amanhã o vento reclame o ardido da minha pele, eu durmo no teu colo de areia.
meu pescoço ilhado não me impedirá de ver o menino que vende sortes em forma de fitas no final da minha rua. desde então, carrego minha fé nos punhos.
ainda sim, eu durmo no teu colo de pedra. você não me responde. me esquece. me lembra. e esquece novamente que os meus sapatos preferidos são os vermelhos com salto estaca. 
eu continuo dormindo no teu colo de osso e sangue para amanhecer melhor. e com tantos pesadelos, ainda consigo vestir amarelo. 
amanheço na estampa de moças que deitam o rosto sobre meu peito. e volto a dormir no teu colo de homem.