Quando leio poesia, eu choro. 
Quando escrevo poesia, eu choro. 
Eu choro com a capacidade das palavras.
 As palavras se juntam e nunca se confrontam. 
Não importa a sua disposição, sempre dá rima. 
Sempre dá bem. 
Sempre há algo esperando por você. 
Com as palavras eu tudo posso. 
Eu viajo para onde quiser. Todos os mundos e universos existem nas palavras. 
No sonho das palavras eu sou maior. Eu travo batalhas com hífens e oxítonas. E eu venço todas. Cada uma. 
E quando o olhar ameaça falar mais do que todas as letras que eu poderia te escrever, um escudo de papel e metal se levanta, pois só com a capacidade das palavras eu posso me render. 
Não há língua nem voz que cante tão bem o meu verso quanto as formas das palavras. Por isso, eu choro. 
Nenhuma outra paixão é capaz de esmagar meu coração como a capacidade das palavras. 
Duras ou leves, lânguidas, escorregadias ou fortes. 
Nasceram para mim e cobrem a minha pele. 
E nos dias e também nas noites eu aconteço em forma de palavras.
Eu
Nós
Duas palavras