zanzar da cabeça

é noite de sábado, e eu estou de boas nessa minha lagoa

incrivelmente

escuto um barulho no quintal e penso em como seria se eu tivesse um gato

mas aí lembro como é costumeiro considerar qualquer tolice quando parece não haver luz no fim do túnel da solidão

ponho jorge ben pra embalar o que tiver de ser sentido

checo o instagram com maior frequência esperando os amigs postarem as fotos da festa daquela noite

me pergunto o motivo real que me fez recusar sair e inventar qualquer resposta barata

não me dei ao trabalho nem em dar uma mais crível

mas também não importa, até porque será que alguém realmente se importa com a minha ausência lá?

logo eu que sou tão assídua

talvez não estar pelo menos uma vez seja um alívio pra eles

vai saber

penso nos fins de semana em que a ideia de não sair pareceu absurda e criminosa

mas, pelo menos nesse, a ideia de sair é que ocupa essa posição

o que faz mudar?

o cansaço não responde, estar atribulada com trabalhos não responde, a tristeza não responde

a tristeza responde

ela não fala, responde por olhares e gestos

mas como se combina tudo virtualmente, ela não aparece

fica escondidinha, acanhada dentro de mim

ela é a verdadeira razão pra recusa, mas que eu não sinto ser por estar intrínseca demais nesse ser

me sinto tola por estar considerando publicar esse ensaio como o primeiro na rede social

solto um ‘’fuck it!’’ interno e trago pra cá. olá!

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