Começos. Origem.

Noventa e bolinhas. Minha mãe esperava uma Maria Eduarda embora o médico insistisse em dizer que ali estava um menino tímido que só quis ser visto no auge dos cinco meses. Pe-re-re-ca, exatamente assim, pausadamente, foi dito enquanto circulava na imagem, usando uma espécie de mouse, minha genitália. O ‘Maria Eduarda’ foi reafirmado.

Nas mãos de outro médico, meus pais ansiosos para verem a primeira filha, minha mãe já com a barriga aberta, eles recebem a notícia de que ela tivera sido enganada até ali: ela não estava grávida. E sim, ela estava. Eu, escondida debaixo da costela dela, custei a aparecer, quem dirá sair.

Complicada, sim. Só não mais que meu pai, que aos quarenta e cinco do segundo tempo resolveu “mudar” o nome da filha para Thaís em homenagem à sua bisavó. A sorte é que até ali ele nunca deixou com que me presenteassem com coisas bordadas com o meu suposto nome, que durou somente até o dia do meu nascimento. Sou filha de brasilienses; neta de carioca com mineira e baiano com piauiense. Sou fruto das combinações perfeitas de aleatoriedade. Boatos de que migalhas da minha discrição vão se espalhando pelo chão conforme o tempo vai passando e que as mudanças são presentes na minha vida diariamente quando eu menos espero. A sede de tudo isso veio de nascença, eu não tenho dúvida.