bolivar, casa comigo.
Há uns anos atras, tive aula sobre ~consumo estratificado da produção cultural~ que no primeiro dia de aula trouxa duas cópias de músicas para toda a turma: uma do Chico Buarque, outra do Wando, e pediu para todos analizarem e dizer qual era melhor. Claro, todos caíram dizendo que a do Chico era melhor, e ele perguntou ~por que?~. Momentos tensos, meus amigo, de um grupo de pessoas tentando explicar racionalmente seu elitismo cultural. O ponto desse professor era que, objetivamente, não tem como dizer que uma música é melhor que a outra. Você pode dizer que os acordes são mais complexos, você pode dizer que a gramática está mais próxima da norma culta, você pode até dizer que ela tem mais rimas ricas do que pobres. Mas isso apenas diz respeito à técnica, não ao conteúdo, não a qualidade intrínseca da música, pois isso é subjetivamente montado.
Acho que foi aí que comecei a ter essa visão mais niilista sobre a classificação por arte. Quanto mais regras que criamos ou mais aspectos a serem julgados, mais tiramos o que realmente é único e espontâneo a respeito de produções criativas e para que? Para, no fim, ser apenas uma avaliação técnica, nada mais.
Gostei muito de você mencionar jogos que ao ser ver, por buscar um ideal artístico (inatingível), acabam sacrificando gameplay. E gameplay deveria ser a linguagem principal dessa mídia chamada jogos.
Por isso estou preferindo a palavrinha experiência. Ela é subjetiva por natureza, não carrega a historicidade e homogeneidade de arte, e já supõe em sua própria existência que o artefato em questão fez você sentir algo, te mudou de alguma forma.
Mas claro, isso é uma jornada pessoal e a conclusão que tirei dela. Sua jornada pessoal nos sentidos é igualmente interessante ❤
