HIMYM - Um conto de amor para adultos
*Este texto contém spoilers. Muitos!*

Acabo de assistir o último episódio de How I Met Your Mother e estou digerindo as informações que nos passaram.
Quem era a mãe do filho do Barney? Um “mês perfeito” incluiu ter uma filha, mas a mãe não importa?
Era mesmo necessária a história de encontrar o amor da vida do Ted? Foi bonitinho mostrar os tantos desencontros, as coincidências e tal, mas… Sério?! Nós adultos não somos capazes de viver sem essa fantasia do amor perfeito, da “metade da laranja”?
Depois de tudo, ele ainda foi atrás da Robin? Ah, Ted… Ted, Ted, Ted… Que recado é esse que nos dão? Alguns ouvem “lute por seu amor até o fim. O que deve ser seu ficará lá esperando a hora certa”; mas, se aplicarmos o comportamento do Ted à vida real, está mais para obsessão infinita. Ted viveu de migalhas de amor de Robin por anos: foi trocado, desistiu de pessoas que o amavam pela fantasia que nutria, aceitou a não reciprocidade, fez sacrifícios para agradá-la e, assim que a esposa morreu e ele se viu carente, buscou a aprovação dos filhos para ir atrás da Robin de novo!
Sim. Ela poderia aceitar voltar com ele, mas vocês enxergam essa relação dando certo em algum momento? Isso lhes parece saudável? Ficar rodeando alguém até vencer pelo cansaço? Isso é mesmo amor de verdade ou é doença?
Robin me parece a pessoa que ama a seu umbigo e só, que gosta de atenção. Ted é o cara que não parece ter um pingo de amor próprio, se humilha e persegue incansavelmente aquilo o que quer. Não o que ama, mas o que quer.
Assim que estiverem juntos de novo, Robin surtará, passará a querer novas coisas, se sentirá presa, confusa e irá correndo em buscar de liberdade, bem longe do Ted, sem se preocupar com os sentimentos dele e provavelmente o magoando mais uma vez. Um ciclo vicioso eterno.
Não vejo razão para acreditar que ao final de HIMYM os dois ficarão juntos e/ou felizes para sempre. Não foi isso que vi ali, não foi isso o que mostraram. O que vi foi um homem que aceitou a vida toda esmolas de amor, um homem que foi incapaz de viver bem em sua própria companhia. Um homem obsessivo, com baixa autoestima, que romantizou por décadas uma relação platônica e de dependência com sua ex… e que nunca superou essa fase.
É um “conto de amor” para adultos. Alguns enxergam amor real ali, ou aquilo que entendem por amor; outros veem mais a fundo e enxergam uma história de sofrimento e frustração que já devia ter terminado há muito tempo.
Se eu pudesse dar um conselho ao cara da foto seria: guarda esse trompete, Ted. Você já teve sua chance nesse jogo. Se poupe.
