Um mais um é dois

Quando você disse que queria um tempo, confesso que fui pego de surpresa e, naquele momento, era como se nosso castelo de cartas estivesse sendo derrubado pelos ventos. Que ventos eram aqueles? Bem, eu não sei, mas a única coisa que você sabia é que queria seu tempo. Pois bem, você o teve. E muito obrigado por esse tempo. Talvez se você não o tivesse pedido, eu continuaria a pensar que estava indo tudo bem.

Como a gente se engana, não é mesmo? Eu me surpreendo com o quanto nós tentamos fazer algo dar certo de qualquer jeito, sendo que, lá no fundo, nós dois já sabíamos que não dava mais. Mas, outra vez, eu te agradeço por esse tempo. Se não fosse por ele, talvez eu me acostumasse à rotina do amor. E, bem, amor não é rotina.

Você me disse que toda a sua insegurança comigo era porque você já não me conhecia mais. Que triste, não? Bom, isso depende de como você quer ver a situação. Você também mudou muito desde que a gente decidiu ficar junto. Mesmo triste com tudo o que aconteceu, eu fico feliz. Sim, feliz porque, de alguma forma, você mudou. Não por minha causa, mas porque, em alguma hora, as responsabilidades chegam e a vida nos obriga a crescer. Eu realmente fico feliz por você, ainda que triste por nós. Mas não quero ser egoísta.

Às vezes eu fico pensando se o amor realmente dura pra vida toda. Aquele amor verdadeiro que os poeta cantam por aí, sabe? Na minha insignificância e pouca vivência, penso que não. Qual é a graça de algo que não acaba? Por que continuar sabendo que aquilo nunca vai ter fim? Se a vida fosse eterna, uma hora a gente iria cansar de viver e implorar pela morte. Assim também é com o amor. Não, eu não quero esse amor eterno. Eu não quero a paz de um amor tranquilo. Quero aquele amor que acaba, que é intenso, que dá vontade de viver. Espero que você entenda isso.

Eu sempre digo que odeio as incertezas da vida, mas, quando falo isso, estou mentindo pra mim mesmo. Se a vida não fosse incerta, não haveria motivos pra viver. Lá no fundo, eu amo a incerteza. Todos nós amamos. O problema é que nós temos medo de tudo aquilo que não podemos controlar. O que fazer? Aceite. Aceite que você não tem poder nenhum sobre as pessoas, ainda que tudo te faça pensar que sim. Assim também é com o amor.

Nosso erro foi esse. Descobrimos da pior forma que não adianta tentar controlar algo que não está sob nosso alcance. Mais uma vez, obrigado por esse tempo. Obrigado por despertar em mim um lado que eu mesmo não conhecia. Eu te amei. Amei muito. Errei muito. Mas, sinceramente, obrigado por tudo isso, até mesmo por ter errado comigo. Agora, temos todo o tempo do mundo.

No fim, descobri que, no amor, um mais um não é um. De acordo com a matemática, metade mais metade é que dá um. Ela está certa mais uma vez. O amor não se trata de duas metades que se completam, mas de dois inteiros que somados formam outro inteiro.

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