Seríamos nós líquidos modernos?

Zygmunt Bauman, 90, sociólogo polonês e um dos filósofos — vivos — mais respeitados da atualidade, fala em suas obras sobre a Modernidade Líquida, particularmente acho interessantíssimo deliberar a respeito deste tema, afinal, o que seríamos nós — seres humanos — se não, seres relacionais?

Bauman define — e critica — as relações contemporâneas por serem líquidas, por se modelarem em relação ao contexto em que se dão, e facilmente se esvaírem quando não mais necessárias, em entrevista ao Café Filosófico o autor usa como exemplo um usuário do Facebook que consegue fazer 500 amigos em pouco tempo, mas ao mesmo passo — ou ainda, mais rápido — que consegue cultivar essas “amizades”, assim também as pode desfazer, ele inclusive cita nesta entrevista que mesmo estando perto dos 90 anos de idade, não tinha essa quantidade de amigos.

Eu não gosto de esteriótipos, e deduzir ou teorizar sobre um comportamento em massa é claramente criar um esteriótipo, mas tendo em vista os modos de relações que eu vejo atualmente é inevitável chegar à mesma conclusão de Bauman: estamos numa era de relações líquidas.

Mas sendo as relações líquidas um problema para o indivíduo, qual seria a solução para isto? Qual a fórmula mágica que nos daria a cura para este “mal contemporâneo”? Neste momento do texto, eu mudo de pensador, para assim — tentar — chegar a uma resposta que seja no mínimo lógica! Então, Clóvis de Barros Filho, 49, advogado e jornalista brasileiro tem em suas explanações de pensamentos (seus e de vários filósofos) exatamente esta questão: “Qual a fórmula para uma vida plena?”, e ele chega à conclusão de que não existe fórmula, não existem regras, que a fórmula da vida vai depender de cada um e que cada um pode pensar que a fórmula de uma vida plena seja uma, pois tem a liberdade de encontrar a sua.

E Clóvis em uma palestra, cita o pensamento de Epicuro, filósofo grego, contemporâneo de Aristóteles, que dizia que a vida deve ser vivida pelo prazer, e que este prazer deveria se dar pelas coisas simples do dia-a-dia. É aqui então que chego ao cerne da questão: num mundo extremamente desenvolvido, complexo, onde tempo é dinheiro, onde inovação traz prestígio, reconhecimento é — extremamente — importante, será que a chave para várias questões — pessoais ou relacionais — não está no simples? Na volta ao contato? Nas reciprocidades de boas ações?

Bom, eis que chego ao parágrafo de conclusão deste texto com a seguinte questão: essas três teorias são muito parecidas em suas finalidades (que poderiam ser resumidas em simplificar o modo de vida cotidiano), então, será que eu — esse que vos escreve — conseguiria conciliar a diminuição da liquidez das minha relações, constituindo a minha fórmula de vida plena através dá prática do pensamento de Epicuro? Será que conseguiria fortalecer minhas relações interpessoais saindo pra tomar um simples café com meus amigos e esquecendo por um tempo Whatsapp, Facebook e outros meios de relações líquidas? Bom, estou tentando, se conseguirei, não sei; talvez falte encontrar outras pessoas com este pensamento — maluco — que queiram sair por alguns instantes de relações — um pouco — mais simples e sólidas!

Nenhum texto é irrefutável, toda tese merece um complemento ou uma antítese e todo erro sugere um conserto, deixe seu ponto de vista ou sugestão de correção nos comentários!

Referências:

Entrevista de Zygmunt Bauman ao Café Filosófico em: https://www.youtube.com/watch?v=POZcBNo-D4A

Palestra: Razão e Sentimentos-Clóvis de Barros Filho em: https://www.youtube.com/watch?v=mTTfdLQLrYM (abordagem do pensamento de Epicuro a partir de 49'43")