Não sei se ainda te amo

Era noite quando você me mandou mensagem. Fazia quase um mês que não nos falávamos, com a exceção de alguns “Oi”s estranhos e corridos quando nos esbarrávamos. Eu ouvia música como se ela pudesse afogar minha saudade de você, ansiava por um cigarro para esvaziar minha mente e apagar seu rosto da minha memória.

Sua mensagem iluminou meu quarto e fiquei nervosa antes de responder. Todos os sentimentos que passei semanas tentando guardar e destruir subiram à superfície. No fim, conversamos.

Você se desculpou e eu te perdoei. Te perdoei mas não esqueci.

As cicatrizes da minha dor ainda estão visíveis, apesar de não sangrarem mais.

Apesar disso, ainda acordava querendo seu calor ao meu lado. Queria você dentro de mim, seus lábios nos meus, sua mão no meu cabelo e tudo que me fazia derreter na cama ao seu lado.

Passei a semana sozinha, você me mandava mensagens sobre como estava se divertindo. Minha grande companhia eram meus livros e me afundei neles. Apesar de tudo que tentei fazer, meu coração estava vazio e nada o enchia.

Você me propôs: sexo, porém sem amor. Eu já não sentia mais nada além de solidão, aceitei na esperança de talvez isso me aquecer, se não meu coração pelo menos o meu corpo.

Fui na sua casa. Você me aqueceu tanto que achei que talvez meu vazio fosse só por termos ficado longe tanto tempo. Que tudo que senti foi apenas confusões causadas por hormônios à flor da pele. Mas, tão rápido quanto me aqueceu, você esfriou.

Conversamos e você falou sobre o quanto te deixei desconfortável. Tive vontade de chorar, mas guardei dentro de mim. Você sempre detestou minhas lágrimas. Você falou da minha amiga, de como vocês ficaram e de como você gostaria de ficar com ela de novo. Meu vazio foi substituído por uma dor lancinante, mas de novo, guardei minhas emoções.

Sou emotiva demais, não era? Não foi por isso que terminou comigo?

Foi como se você tivesse aberto um buraco no meu peito e o vazio começou a expandir. Quis chorar mas já não tinha mais lágrimas depois de enterrá-las tão profundamente. Me encolhi mas você não notou, me deu um lençol e voltou com suas coisas.

O vazio parecia que iria me engolir, tentei me aproximar de você. Talvez você conseguisse me aquecer novamente, nem que fosse por um segundo, e eu voltaria ao normal. Mas você estava ocupado e tudo que tentei foi pro ralo.

O sono pesava, o escuro me tomou em seus braços. Quando acordei você estava dormindo, longe de mim. Meu maior desejo era por você me abraçar, como fazia antes, e que seu calor me acalentasse. Mas você continuou longe, mesmo horas depois. O frio não me deixou dormir e, sempre que eu virava, te via tão distante de mim.

Me toquei mais tarde naquele dia que não fui à sua casa por resíduos de sentimentos por você. Fui até você em uma busca egoísta e desesperada por seu calor. Enquanto olhava seu rosto, embalado pelo sono, quis chorar novamente mas ainda estava seca.

Quando nos despedimos, com um abraço rápido demais, senti o vazio me engolir por dentro. Procurei, desesperada, pelo amor que tinha escondido de mim mesma mas não achei. Será que esse vazio que me consome o absorveu? Será que ele ainda existe, mas se escondeu tão profundamente que talvez nunca mais o ache?

Será que ainda devo procurar por ele? Ou será essa uma causa perdida? Será que você me prefere assim, sem resíduos de sentimentos? Se eu achar meu amor por você, ele vai ter algum espaço no seu coração? Ou devo apenas abrir mão dele e me contentar com seu calor enquanto estiver disponível?

Sou eu a egoísta ou somos ambos?