A importância do ato de ler, Paulo Freire. Texto apresentado na abertura do Congresso Brasileiro de Leitura, realizado em Campinas/SP, em novembro de 1981.

Resumo — Por Thalis Firmino

O texto “A importância do ato de ler”, escrito pelo educador brasileiro Paulo Freire, trata-se de uma reflexão e crítica quanta a limitada compreensão feita pela sociedade do que é leitura que, segundo ele, não se restringe a tradução mecânica de escritos.

Freire inicia seu raciocínio de forma nostálgica, relembra sua infância no sítio de sua mãe na cidade Recife/PE e utiliza dessas memórias para exemplificar o que chama de “leitura de mundo” e “leitura da palavra”. Enquanto criança, movidos pela curiosidade, analisamos o ambiente em que vivemos e, a partir disso, criamos interpretações sobre tudo que nos cerca, gerando assim nosso primeiro conhecimento (leitura de mundo). Posteriormente, inseridos em uma nova realidade – início da alfabetização – passamos a associar nosso mundo particular ao mundo formado pelas letras. E, então, as coisas passam a ganhar sentido ao que é comum de todos (leitura da palavra).

Partindo dessa associação, ele destaca a importância da leitura no seu sentido crítico. Afirma que ela demanda do que é visto nos escritos, interpretado e trazido à realidade, e faz um crítica quanto à forma “mecanizada” de ensino por parte de muitos educadores. Freire defende que muito mais que trabalhar com a memorização e descrição de objetos, é necessário instigar no aluno o interesse pela significação profunda do mesmo. Memorizar não é suficiente, é preciso constituir conhecimento sobre o tal. A. educação não se limita ao que é decorado, exige pensamento, reflexão.

O autor então sugere uma reorganização do programa de alfabetização. Defendendo que a educação deve guiar-se com base no conhecimento do que é popular (cultura), para depois adentrar ao que chama de “codificações”, ou seja, representações escritas da realidade. Destaca também a preocupação que os educadores devem ter em não confundi suas vivências, experiências e capacidades, com a realidade dos educandos, ressaltando a importância do olhar sobre a individualidade.

Concluindo, portanto, que é necessário inserir as experiências pessoais no ambiente de ensino, e. somente, a partir delas, é possível formar opiniões de forma crítica sobre o que é ensinado. As pessoas não seres vazios, constituem o aprendizado com o que trazem das experiências vividas, e cabe ao educador encarar essa realidade e buscar formas de trabalhar sobre essa percepção individual.