Eu não fiz amigos na internet

Depois de 2014 tudo mudou…

Comecei ter amizades virtuais através do saudoso Orkut, muitos me visitavam aqui no Rio e com frequência visitava meus amigos em outros estados. Depois veio o Twitter, lá também conheci boas pessoas. Eu preciso da web para socializar, sou antissocial e nunca tive muitos amigos porque nunca fui Maria vai com as Outras, sempre fui a Do Contra. Quando eu vejo que todo mundo tá fazendo X pra ter a aprovação de alguém ou da sociedade, eu fico com o pé atrás e me afasto. Não sei se isso é um defeito ou qualidade. Tentei seguir a maioria e falhei miseravelmente. Tenho apenas um amigo que conheci na vida offline e no momento é o único que posso contar, já que ele não me abandonou.

2014: O ano sabático

Não vou falar o que aconteceu no cenário político porque todo mundo sabe. Vou apenas dizer que as pessoas estão insanas por causa de política, eu apenas observo esta loucura de longe, já que não sou boiada pra seguir a manada. Brigas e linchamentos se tornaram comuns nas redes sociais, principalmente no Twitter, que era a minha rede social preferida e hoje está insuportável por causa dos politizados.

Antes que me xinguem, eu não tenho um lado. Não sou “dista” “ista” ou “aça”, vejo burrices na Direita e na Esquerda. Por criticar os dois lados, acabei sem amigos. Para a direita, eu sou a isentona ou a esquerdista, para esquerda, eu sou a reaça fascista.

Uma das minhas melhores amigas rompeu comigo porque eu não concordo com a esquerda. Pra ela eu sou coxinha, reaça ou qualquer adjetivo atrelado a direita. Isso é muito triste e me machuca. Conheço ela desde dos 17 anos, trocávamos confidências mais íntimas e já dormi na casa dela várias vezes. Nossa amizade acabou por causa de algo tão idiota. Tenho uma outra amiga que também rompeu comigo por causa disso, mesmo com a distância sempre dava um jeito de visitá-la. Segundo ela, virei uma “machistinha reaça” por não abraçar a sua ideologia.

Porém, não perdi apenas a amizades delas, muitos amigos da época do Orkut também se afastaram porque eu sou a “isentona FDP” ,“ a covarde que ficava em cima do muro”, etc. Pessoas que eu conheci no Twitter viraram antipetistas e reaças, tá na moda e da uma certa notoriedade por lá. Por criticar a direita, muitos me deram unfollow ou se afastaram porque eu não escrevo que eles querem ler. Hoje, muitas @’s bacanas se transformaram em pessoas virulentas e insuportáveis. Creio que a maioria faz isso pra chamar atenção e receber a aprovação das pessoas. É difícil não pensar como a maioria, eu até entendo. É bem mais fácil e cômodo ter um lado, uma turma.

Sim, fui trouxa e aprendi algumas lições

Este texto é piegas e bobo, como todo desabafo. Uma pessoa normal não ficaria chateada por algo tão fútil, mas eu tô mal e demorei dois anos pra perceber isso. Como eu disse lá em cima, sou antissocial. Minhas amizades começam na internet e vão para a vida real e até então pensava que tinha amigos. Tenho 26 anos e só por hoje eu não sei lidar com gente, é triste sabe. Vejo pessoas da minha idade se relacionando normalmente e eu amarga, vazia e sem animo. Com o tempo passei a me acostumar com as rejeições, só que elas doem, principalmente quando você é rejeitada por um motivo tão inútil.

Pelo menos eu aprendi a lição. Não posso considerar amigos de longa data simples avatares. Claro que pessoas do meu Facebook e seguidores do Twitter podem virar meus amigos depois de muitos encontros, no entanto não vou dar muita importância a elas. Cansei de ser trouxa e a partir de hoje eu vou ficar mais esperta.

O único recado para quem terminou a amizade comigo e briga por causa de política é esta imagem. Ela vai mais que mil palavras.

Imagem: Folha de São Paulo

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