sobre o concreto

esses muros que nos escoram
somos portas entreabertas, 
vizinhos
apoiando as nossas ruínas
sem nunca de fato adentrar.

somos as grades enferrujadas
aquelas que nada protegem, 
que apenas resistem.

um pedaço do que um dia 
foi colorido 
e deu lugar à aspereza do tempo

caixas de correio

sem correspondência.

somos persistentes, doces 
a um olhar já ultrapassado.

somos todos memória.