Projetando questionários onlines inclusivos em pesquisas de UX
O objetivo desse artigo é propor uma forma de fazer pesquisas quantitativas em UX utilizando questionários onlines, sem muita complicação ou enrrolação.
Na hora de se montar o questionário, é preciso sempre ter em mente o problema que precisa ser resolvido, e as hipóteses que precisam ser validadas com essa pesquisa. Logo então deve-se questionar, que utilidade tem pra pesquisa e pra validação de hipóteses saber o gênero das pessoas? Digo isso porque a maioria das pesquisas que vejo por ai, se quer precisam de fato desses dados.
Após repensar tudo isso, e você chegou a conclusão de que realmente precisa saber o gênero das pessoas para a pesquisa, ok, podemos prosseguir.
Mas antes quero chamar a atenção para algo MUITO importante, não use o maldito X ou o maldito @ para escrever em linguagem neutra nos questionários, porque os leitores de tela não conseguem ler, além de não serem pronunciáveis. A comunidade que usa linguagem neutra já trocou o X e o @ pelo E a muito tempo, justamente por causa desse problema com os leitores de tela e porque com E da pra pronunciar. Então você pode escrever por ex, corajose, bondose etc.
Bom, na hora de montar o questionário, pode colocar nas opções de gênero: Mulher, Travesti, Homem, Não binário. Sejam pessoas trans ou pessoas cis( pessoas cis são pessoas que não são trans), se uma mulher é trans, ela não vai deixar de ser mulher por isso, então não tem o porque por um campo só pra isso. Pessoas que não se identificam com nenhum dos gêneros binários, vão selecionar não binário, que é um termo guarda-chuva que abrange todas essas outra opções. Travesti é uma identidade de gênero feminino que algumas mulheres trans aderem, portanto é importante ter essa opção disponível.
Outra coisa que eu já vi colocarem muito era: Homem, mulher, outro, e esse outro com o campo aberto para preencher. O grande problema disso é que abre margem para trolls atrapalharem a pesquisa (escrevendo coisas tipo "helicóptero"” experiência própria, tanto fazendo pesquisa com brasileiros quanto com pessoas de fora). Por isso eu gosto de deixar só a opção "Não binário" sem ter a possibilidade de preencher um campo.
Mas novamente, nesse caso que falei é para uma pesquisa mais geral. Agora se o foco da sua pesquisa é realmente focar na inclusão e diversidade, saber realmente as diferenças de um grupo minoritário, ou dar oportunidade para minorias sociais.. Eu recomendo adicionar mais uma pergunta após perguntar o gênero: Se identifica como uma pessoa trans?
Logo, se for uma mulher trans por ex, ela vai marcar mulher e depois sim, se for uma pessoa cis vai marcar como não. Essa foi a melhor combinação que encontrei para tornar os questionários mais inclusivos e evitar trolls respondendo.

Por hoje é isso, espero que tenham gostado :)
