Por que não aprendemos a conjugar os verbos no passado?

Como eu vou viver sem ela? Meu amor, tínhamos muitos anos pela frente…

13 anos juntos, o último ano lutando contra um câncer em torno do coração. As brincadeiras de casal, o ciúmes dela, a risada dele. O tratamento começa, mas só se dão conta quando os cabelos dela caem. Juntos, eles decidem raspar os cabelos para se apoiarem. As amigas levam lenços e abraços.

Inicia-se uma série de viagens e rotinas que incluem remédios, injeções diárias, hospitais, sessões de quimioterapia. Às vezes melhora, às vezes piora. Mas ela consegue ser madrinha de casamento (como planejado) e entrar linda em um vestido salmão, sorrindo. Vai à praia, ao shopping, come o que bem entende, conversa, ri, quer saber as novidades, assiste filmes. Vive!

Ela ali sempre confiante, com sorriso no rosto, dizendo que tudo vai passar. Ele, escondendo as lágrimas em algum canto da casa, entre uma brincadeira e outra para distrair o sofrimento. A família, sem saber o que dizer ou fazer em um momento tão delicado. Percebendo tudo sem dizer palavra, ela é quem toma a iniciativa para fazer algo, ir em algum lugar, comemorar o aniversário de alguém, ficar na sala vendo TV ou não fazer nada.

A necessidade de um doador de medula pega todos de surpresa. A voz falta e fica presa na garganta, a boca seca, as mãos tremem, os olhos não seguram as lágrimas. Imagens passam na mente de todos, mas ninguém quer acreditar. Todos temem por ela, todos se preocupam com ele. As igrejas se alternam em novenas e as pessoas se unem ao redor da causa na cidade do interior. Precisa-se de sangue! Precisa-se de um doador de medula!

Quem? Não há irmão gêmeo. Os testes começam, mas não há doadores compatíveis na família. O peso, agora acrescidos de 20kg pelos corticóides, é sentido junto com cansaço e dores pelo corpo. Ela manca, não cede e continua firme na fé em Deus! Com a esperança gritante de só quem luta diariamente pela vida é capaz de alcançar. No hospital, outras tantas histórias de coragem e campanhas pela vida. O pedido que os une é vermelho e leva só alguns minutos do tempo de alguém. Pode ser você…

Uma ligação, um sol inteiro no fim do túnel. Que alegria, aparece um doador de medula compatível! A esperança se renova e tudo parece perto do fim. Ela observa a casa pronta depois de mais de 10 anos sonhando com cada tijolo colocado ali, sendo os últimos quatro anos dispendidos na construção de cada detalhe. Tudo pensado pelos dois. Não querem dívidas e não têm pressa. São jovens, podem fazer uma coisa de cada vez, curtindo cada momento, como toda coisa boa deveria ser.

“Primeiro a casa, depois casamento e filhos”. Só que agora não podem mais ter filhos, a quimioterapia queima este sonho. Por outro lado, a casa ganha cores, janelas e móveis. Ele pede para colocar os armários para que ela veja tudo pronto quando chegar. Também começa a pensar nas alianças e em fazer uma surpresa. Estão todos vibrando com a notícia de um doador, ainda que ele more fora do Brasil. Alguns, sem saber que existe um cadastro internacional para doadores de medula, perguntam “Como assim?”.

De repente, novas dores. Ela sente algo diferente…A mãe, sempre presente, acompanha a filha até o hospital. Desta vez estão todos juntos, sem revezamento, o pai, o irmão e ele, o companheiro de todas as horas. O médico pede que a internem, ela vai pra UTI ainda consciente. À noite o quadro piora. As notícias chegam por telefone e por mídias via internet. Famílias sentem a dor. A avó chora, passa mal. A sogra se desespera. Alguns ficam em choque. Uns abraçam, outros gritam, choram, oram. Há ainda aqueles que tentam amenizar a situação e equilibrar tudo isso dando apoio a todos.

A mãe, como todas as mães deste mundo, implora Por favor, faça alguma coisa, salve a minha filha!!! Ela está morrendo e você não faz nada!”. O médico, aparentemente indiferente e um pouco rude para o momento de tanta dor, não diz nada. Talvez porque no fundo não saiba o que dizer ou já tenha se acostumado tanto às súplicas, que lhe falta a sensibilidade e o tato. Amanhece, o quadro continua grave. Silêncio, choro, desespero.

Precisa-se de sangue! Desta vez para repor o banco. Um ônibus lotado chega à Goiânia, mas ninguém pode visitá-la. As orações continuam ainda mais fortes na cidade onde ela nasceu. A família acompanha tudo de perto e também de longe. Lá dentro da UTI estão os dois. Conversam, ele se despede…Com as mãos, ela faz o gesto para se aproximar. Ele chega o ouvido bem perto e ela diz com a voz muito fraca “Eu te amo”. Ele sorri, diz “Eu também” e volta à cidade natal para ajudar o pai na plantação, porque na roça o tempo de plantio não espera.

Ela é entubada, já não tem mais consciência. A mãe é retirada da UTI. O companheiro está em outra cidade e ao saber da notícia sai disparado sozinho rumo à fazenda. A família se desespera e, com medo de algo pior acontecer, corre atrás. Eu acendo uma vela e faço minhas orações. À noite, ao retornar para casa percebo a vela apagada. O coração aperta por um instante e penso logo em seguida “Foi o vento”. Reacendo a vela.

Checo ainda no celular a mensagem trocada um dia antes dela ser internada me pedindo uns vestidos que estavam no guarda-roupa, porque havia engordado e queria ficar à vontade. Eu havia perguntado como ela estava e pela primeira vez ela disse sentir dor, que o fígado estava muito inchado, mas que logo ia passar (otimista e cheia de fé, como sempre). Eu quero conversar mais, mas percebo que ela quer descansar e me despeço. Me sinto culpada por estar em Brasília e não poder abraçá-la naquele momento. Também me sinto incapaz diante de uma doença tão terrível.

Mais tarde, a temida ligação. Aquela que ninguém está preparado para ouvir nem aceitar. Porque não é justo com uma pessoa tão boa e que sempre fez o bem, sem distinção…Ela não vê os armários novos, não chega a morar na casa tão carinhosamente planejada (que finalmente está pronta) e não realiza o sonho maior de se casar com o companheiro de tantos anos. Deixa família, amigos, afilhados e saudades apertadas em toda parte.

Não dá pra acreditar! E agora? O que fazer? O que dizer? Vem o choque, as lágrimas, o desespero, tudo se amontoando e revirando tudo. O primo chega, abraçamos e choramos. Saímos logo cedo com meu irmão e atravessamos várias cidades até chegar onde ela está sendo sepultada. E ninguém quer falar de luto, porque notícias tristes doem. Mas às vezes é preciso abrir o peito para externar tanto sentimento inundado. Também para dar espaço para aqueles que sofrem e precisam de apoio.

Lá está ele, ao lado dela. Lá estão também a mãe, o pai, o irmão. Ao redor, uma cidade inteira chora e se reveza para a última despedida. “Que vá em paz…”. A mãe pede músicas bonitas às meninas que estavam cantando e também que a tristeza não tome conta do lugar, porque ela havia pedido assim. Inconsolável, ele diz “Eu não sei viver sem ela…”. Eu o abraço forte, ele encosta a cabeça no meu ombro e diz de novo “Pior vai ser amanhã…não vou mais ouvir a voz dela. Como vai ser?”.

Abre-se a tampa, ele dá um beijo na testa dela e sussurra “Nós tínhamos ainda muitos anos pela frente, meu amor…como vou viver sem você?”. Chora. Chora. Chora. O comboio segue a pé até o cemitério, todos pisando o chão de terra vermelha de Perolândia, no interior de Goiás. Contrastando com a tristeza, o dia está reluzente com o sol à pino, porque anjos não sobem em dias nublados. Anjos como a Ariane são pura Luz e Amor.

Pede-se uma salva de palmas à Ariane. Reza-se um Pai Nosso. A mãe agradece ao companheiro por tantos anos de Felicidade. Ele, para em frente ao caixão e passa a mão com carinho na superfície. A família dela vem logo em seguida. Ficam ali sem dizer nada, naquele silêncio que diz tudo. Os outros assistem, oram e choram. Também agradecem pelo tempo em que compartilharam da presença, alegria e generosidade dela! O Amor continuará sendo emanado em outras dimensões. Pra sempre. E por todos.

Sim, ela se foi, mas nós ainda não conseguimos conjugar os verbos no passado. Porque o que é presente, neste tempo deve ser conjugado. Porque está vivo em cada um de nós. E ela soube como ninguém conjugar o verbo doar e amar. Deixou muitas lições de humildade e humanidade. Quantas lutas, quanta coragem! Por todos os Tiagos que são companheiros até o fim, por todas as mães incansáveis na luta e por todas as famílias que se unem por Amor…Por todas as Arianes desse mundo, o que eu te peço? Atenção. Oração. Doação. À todos que estão na mesma situação que ela esteve um dia, para que possamos ter histórias com outros finais.

Pode ser o seu tempo em algum hospital conversando com crianças fragilizadas pelo difícil processo do tratamento. Pode ser o seu sangue, capaz de mudar os rumos de uma história e trazer aquele final feliz que todos sonhamos. Pode ser só um lenço para afagar dias difíceis de quem descobre um tumor e ainda não sabe o que vem pela frente. Pra quem não tem tempo é só fazer um depósito, que nós compraremos e doaremos a quem precisa.

Se esta mensagem te tocou, compartilhe e se engaje pessoalmente nesta campanha. Doando R$ 10, você estará comprando 1 lenço que mudará o dia de uma pessoa na luta contra o câncer. Não é pelo lenço em si, mas por tudo o que ele representa. Pelo carinho verdadeiro de pessoas que se unem pelo bem, como se fôssemos todos da mesma família. Um pouco de afeto nesses momentos tão delicados às vezes é tudo o que se precisa.

É o nosso jeito de passar pelo luto da mesma forma com que a Ariane passou todo o tratamento na luta contra o câncer: com fé em dias melhores. Acreditando na cura e, principalmente, no Amor que une todos os seres humanos. Precisa-se de lenços! Para embelezar muitas carecas esperançosas por aí. Doar custa muito pouco e faz muito bem.

Todos os valores recebidos serão divulgados, bem como os lenços e as meninas lindas que irão recebê-los. A campanha é da Alessandra Gomes, do Armazém de Tendências, de Goiânia. Apoiada pelas irmãs Cybelle Marques e Adryelle Marques. Você pode procurá-las no Facebook, conversar a respeito ou só fazer a sua doação. A nossa família apoia a iniciativa. Então, que tal doar ao menos um lenço hoje? As Arianes, que receberão os lenços, agradecem antecipadamente seu gesto de Amor!

Contatos e Dados bancários:

Banco do Brasil, Adryelle Marques.

Agência: 3659–5. Conta: 46235–7

https://www.facebook.com/alessandra.gomes.5458?fref=ufi

https://www.facebook.com/CybelleMarques?fref=ts

https://www.facebook.com/adryelle.marques?fref=ts

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