A maçã

À primeira vista o que me foi chamado atenção foi a sua completa imperfeição: o formato não tão bem definido, algumas partes oscilantes entre o vermelho vivo e o amarelo e seu cabo levemente torto. Possuía defeitos, como todo mundo, mas não deixava de ter um lugar específico no espaço naquele momento.

As pequenas pintas amareladas eram propositalmente separadas e distribuídas em sua extensão e quando percebi, não havia nenhuma que eu pudesse retirar para deixá-la “mais maçã”.

O vermelho oscilava em tons de cereja até os salpicados quentes de fim de tarde, criando uma obra de arte natural calorosa e explosiva, e em meio de tantas chamas consegui visualizar o amarelo gasto, como folhas secas de outono que caíam e se deixavam consumir pelos lábios escarlate. E como toque final, seu cabo, como o último marinheiro pronto para zarpar por mares avermelhados…

Mas enfim, era só uma mísera maçã.