02/09/2018 — cinzas
A história foi incendiada na noite de ontem. Ter a consciência de que o único motivo de toda aquela riqueza ter sido dizimada foi a negligência, me repuna, me contorce o interior. Saber que já haviam sido avisados, por várias vezes, que o museu estava respirando com ajuda de aparelhos e que em 2016 já havia entrado em coma, é doloroso. Ele veio mostrando aos poucos que estava morrendo, a tragédia já vinha sendo avisada há anos. Mas nunca, em cerca de 60 anos, ninguém com poder suficiente para curá-lo pisou lá, não deram a ele o mínimo de atenção.
Mas por que isso? Por que aqui no Brasil catástrofes com a cultura são passíveis de ocorrer? Por que é inimaginável o museu do Louvre ou o museu Britânico ou etc, ser incendiado, mas com o nosso museu Nacional acontece?
A história e a arte não são valorizadas. As prioridades dos homens de bem são outras em nossa terra. Por que a gente acreditaria que haveria repasse de verba para manter um monumento de dois séculos de idade num lugar como o nosso?
Meu dia acordou cinza, como as cinzas que ficaram da história do Brasil, da América Latina. Abrindo a semana da pátria com muito menos que o pouco que já tínhamos.
Ânimo para lutar não há nesse dia.
