Amortecimento emocional

Acabei de criar esse termo.

Em algum lugar está escrito que devemos tratar o outro como gostaríamos de ser tratados. Talvez isso começou quando Jesus falou para amarmos o próximo como a nós mesmos.

De um tempo para cá, eu acho que ando mais legal para dar conselhos, porque sinto que dou os conselhos que eu gostaria de ter recebido em algum momento ou que eu sinto que são os que eu gostaria de receber.

Sei lá, eu sempre tento falar de otimismo, esperança, perseverança, disciplina.

E sabe o que é engraçado?

Tem gente que olha para mim com cara de enjôo. Mesmo que agradeça, parece que no fundo ela está desconfiada desse excesso de Polianice. Tem gente que se irrita. Tem gente que fica mais triste.

Enfim: não adianta dar o conselho que eu gostaria de ouvir, é preciso falar o que a pessoa precisa ouvir.

E ai eu sinto dificuldade, porque me sinto bem falando o que eu falaria para mim, mas não me sinto bem falando coisa diferente.

E aí eu percebo que no final eu estou me aconselhando, e não aconselhando o outro, porque eu saio satisfeita e o outro não. Hahahaha

Bem, a despeito de eu perceber a necessidade de adaptar meus conselhos aos ouvidos do aconselhado e não aos meus, eu tenho convicção de que eu sempre falo palavras positivas.

Pode não ser o que a pessoa quer/precisa ouvir, mas pelo menos eu não derrubei a pessoa na cova de vez, eu acho.

E ai está um ponto: por que a pessoa se irrita/enjoa com uma palavra positiva? Eu, hein.

Eu ficaria feliz em ouvir as minhas palavras. Ou será que ficaria enjoada por que otimismo denota autoconfiança e pessoas e, quem sabe eu, se amedrontam com isso? Eu, hein.

Sei lá.

Eu noto que as pessoas se perdoam pouco e se culpam muito.

As pessoas… algumas quantidades de mulheres que eu conheço, na verdade. Eu já fui assim. E uma das melhores coisas que eu fiz foi parar de me culpar, de me responsabilizar por tudo.

Acho que ajudou o fato de que, na média, eu me perdôo pelas coisas. É um perdão construtivo. Uma auto-indulgência saudável. Tudo melhorou quando eu eliminei a culpa excessiva. Por mais que o perdão viesse, sempre tinha culpa nova chegando.

E noto muita menina acumulando culpa por tudo, associada a uma dificuldade de assumir erros, o que por sua vez, leva à dificuldade de se perdoar.

É assim: há culpa, mas não há assunção do erro.

Há um certo orgulho que impede a pessoa de assumir o erro, mas não o há em assumir a culpa. Se você assume a culpa, mas não o erro, você não está disposto a crescer com o erro e a eliminar a culpa por meio do auto-perdão.

E isso tudo se acumula e se represa e a pessoa fica cheia de energia de culpa e de orgulho e de falta de perdão, todos juntos.

É complicado.

Por isso que eu penso: mulher, tenha um amortecimento emocional, pegue leve, perdoe-se.

Perdoar-se é assumir erros e crescer com eles. Perdoar-se é ter um colchão para deitar as culpas e mandá-las acordar e irem embora quando estiverem descansadas.

Perdoar-se é ouvir conselhos positivos e se sentir digna deles, e não enjoada, constrangida, provocada.

É disso que eu to falando.

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