Fluxo

Bom dia.

Lembrei sexta passada que tenho medium. Saudades.

E hoje me veio inspiração.

Ontem conversei com uma piçoua muito inteligente, altamente engajada com o seu trabalho/pesquisa, e ela falava sobre seu o estudo com muita naturalidade e claro interesse e conhecimento por aquilo que estava fazendo.

Muito mais que o conteúdo do estudo, o engajamento da piçoua era algo que estava me fascinando. Admirável. Era algo muito técnico, muito da natureza, muito importante para a preservação do meio ambiente, para a compreensão de questões importantes da causa estudada. Bem legal.

E nisso eu percebi claramente algo que era responsável pelo meu sentimento de “perdimento”, que às vezes me abate. Ou seria desalento. Ou seria futilidade. Que seja. Eu percebi que me falta um discurso apaixonado sobre algo que eu gosto de fazer, de verdade. Me faltam algumas horas de estudo diletante, prazeroso, de aprendizado mágico, sabe. Que me permitam reunir conhecimento de forma tão natural, tão autêntica como a da dita piçoua admirável.

Eu fico dividida entre lamentar o leite derramado, por nunca ter me entregado “ao tema da minha vida” e ao mesmo tempo eu vejo que, se não fiz isso, foi porque nada me tragou com tanto magnetismo para que eu me entregasse àquele estudo de corpo, alma e coração. Então, eu sigo na batalha para chegar a essa sensação. O importante foi ver, ontem, ao vivo, em tempo real, uma piçoua que pode me dar esse exemplo de “completude”. De realmente estar ocupada com algum tema externo a si, que vai além de pensar em si, em se manter, em existir, em sobreviver em um meio hostil.

Isso me chateia um pouco: parecer que muitas vezes eu vivo apenas para sobreviver à escrotidão do mundo. Eu quero muito usufruir a vida para além disso. Eu acho simplesmente imprescindível.

Por exemplo, eu acho que uma das tarefas que mais denota falta de vida interior profunda, e que também mostra como é real a luta social para se atacar e se defender, produzir e se proteger em termos de escrotidão é: rede social. hahaha

A rede social é o escape para a falta de profundidade existencial para muita gente. E não há problema nisso, na verdade. O que é perceptível é que, se há algum nível de evolução do ego, que vai do nível grave e menos evoluído de egocentrismo extremo, até o nível mais nobre de ausência total de apego egocêntrico em relação a tudo, as redes sociais são o grande ponto de visibilidade do nível mais grave de egocentrismo.

Normal, aquele que não é egocêntrico, não o é na vida, nas redes sociais, em lugar nenhum. E aquele que é egocêntrico o será em qualquer lugar, especialmente nas redes sociais.

Em que ponto eu quero chegar? Quero chegar no ponto em que eu concluo que qualquer apego meu às redes sociais denota um certo nível de egocentrismo e atitude defensiva e que o melhor mesmo seria que eu ocupasse minha mente com assuntos realmente externos à preocupação comigo mesma, entende?

Se preocupar com a natureza, com os animais, com a origem e a construção de objetos materiais, com a produção de coisas pode ser algo que preenche a alma muito mais que a preocupação consigo, consigo, consigo.

Sei lá se sou clara… Maior desapego com o próprio ego e mais apego saudável ao mundo exterior pode ser uma saída que me traga mais preenchimento na vida, e que talvez seja “o fazer diferente” de que minha vida precisa para eu engatar em algo que me dê fluxo. É isso.

Menos ego, mais eco hahahaha

Isso é bom, para todo mundo.

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