Se você não souber quem é você mesma
Você sempre será o que querem que você seja.
Ai, como isso é verdade.
De uns tempos para cá eu tenho ficado muito, mas muito sensível ao estereótipo que eu represento.
Não tem jeito, ninguém escapa.
Somos todos encaixotados em estereótipos, e todo mundo faz cálculos baseados nas informações que mais ou menos conseguem obter da primeira impressão que você passa.
E isso não é crime. Existem 7 bilhões de pessoas no mundo, somos semelhantes uns aos outros, nos unimos, nos separamos, e no final a gente tira a média, soma, eleva ao quadrado e lida com essa quantidade de informações todos os dias, para os mais variados tipos de pessoas. Não dá para adentrar aos pormenores de todo mundo toda hora, todo dia, etc, etc, etc.
Então, rotulamos. Tratamos as pessoas de acordo com expectativas baseadas nesses estereótipos. Já está tudo pré-fabricado, socialmente pré-definido. Eu vejo mulheres de meia idade de uma forma, homens idosos de outra, pré-adolescentes, pessoas humildes, pessoas ricas, pessoas altas, pessoas arrumadas, desarrumadas, incomuns, comuns… cada uma de uma forma.
E eu mesma pertenço a um certo grupo de moças jovens com um certo perfil que me oferece um filtro para ver todas as pessoas. E as pessoas que eu vejo, também me vêem de uma certa forma. O que elas representam para mim e o que eu represento para elas, já está definido antes de mim. E eu apenas ajo de acordo com o que se espera que uma menina como EU faça como uma pessoa como FULANO.
Tá tudo pronto, tá tudo armado.
É assim para mim, é assim para todo mundo.
E não é exatamente um problema. É apenas um fato. E é apenas imprescindível saber disso. Somos muito menos naturais do que imaginamos. Ciente disso, eu percebo que essa noção não é a regra. Todo mundo se acha super genuíno, mas na verdade sequer sabe por que trata fulano de tal forma.
O carinha não sabe por que tem medo de falar com meninas. Introvertidos não sabem por que não sabem falar em público. Roqueiros não sabem por que odeiam pagodeiros. E é tudo tão previsível, é tudo tão social. São atitudes individuais tão preparadas, tão socialmente previstas, que é surpreendente que haja gente que pense que isso vem “de dentro”, quando é claro que há um padrão em tudo.
Onde quero chegar: eu noto muito bem como cada pessoa me trata e por quê. E eu concluo que em 99,9% dos casos, nem tem como levar para o pessoal, porque a maioria das coisas que acontecem comigo, da forma como as pessoa agem comigo, eu vejo por aí que são coisas baseadas em estereótipos bem superficiais sobre a minha pessoa. Se colar, fulano não gastou energia e resolveu o problema dele comigo.
Mas a mágica é quando não cola: quando eu sou tratada de acordo com o estereótipo, de acordo com o plano A, mas eu surpreendo e não respondo de acordo. Eu já me vi, claramente, na adolescência, agindo perfeitamente de acordo com o meu estereótipo, às vezes contra a minha vontade, mas achando que era o certo a fazer e: eu me fodia e sentia que eu me anulava de uma maneira que eu nem gosto de comentar.
E nisso eu fui aprendendo que eu jamais terei que obedecer a NENHUM estereótipo estabelecido para mim, simplesmente porque isso me faz um mal danado, e porque autenticidade é tudo, né.
E esse é um baita pulo do gato: ultimamente eu tenho visto a quantidade de atitude “fuleira” que jogam para cima de mim, em que noto claramente uma percepção bem superficial da minha pessoa, uma tentativa de jogar, dentro do quadro de atitudes que se pode jogar em cima de mim, aquela mais frouxa, mais mal feita, pra ver se cola. Dentro do leque de atitudes que a pessoa A pode ter comigo, há sempre aquela tentativa de jogar a mais fuleira, na presunção de que eu sou otária. Mas aí eu vou lá e mostro que, AQUI NÃÃÃO, VIOLÃO.
E eu sabiamente SURPREENDO e não dou a resposta estimada. Eu vou lá e dou uma resposta firme.
Digo isso porque eu tenho a leve impressão de que o meu estereótipo corresponde ao de menina indecisa, ingênua, enrolável, pura, sei lá. Sinto que há uma tendência em jogar frouxo comigo e se eu for isso mesmo, eu tô no papo. Mas na verdade EU SOU SABIDONA e dou uma banda nesse povo que acha que eu sou trouxa.
hahahaha gente será que eu estou sendo clara??
Eu tenho cara de fofinha, mas de fofinha EU SÓ TENHO A CARA.
AQUI É MALANDRAGI, BAGUIO É DOIDO MANÉ.
E nessa eu fujo do estereótipo.
Tendeu?