A patrulha do politicamente correto

Esse assunto já está mais do que batido, mas eu quero falar a respeito dos “neo patrulheiros” e sua soberba.

Lá pelos tempos de 2010, 2011, todo mundo usava a internet ao “deusdará”. E era um tempo cheio de piadas do pior gosto, sem o menor pudor ou critério. E não adianta negar, porque todos nós já fizemos alguma fala de mau gosto ou que foi mal interpretada.

A questão não é a de resgatar os erros do passado, porque se fuçarem meu passado, cara, eu tenho mais piada de mau gosto do que o Ari Toledo (Tá, vai. Nem tanto, mas tenho muitas, sim).

A questão é que revi meus critérios e posturas e, ainda hoje, dou lá meus escorregões, mas óbvio que me desculpo, etc.

No entanto, o que me fode o juízo é ver tantas pessoas que também cometiam erros no passado e até cometem alguns ainda, mas que estão sem empenhando em DESTRUIR FUTUROS de quem comete tais erros hoje.

“Ah, mas eu evoluí”. Será que evoluiu mesmo? Será que é evoluído achar que só porque você e eu — depois de 2, 3, 4 anos — conseguimos perceber a bosta que era falar as merdas que falávamos, nos dá o direito de sair por aí apontando dedos e expondo quem hoje comete tais erros?

Será que não estamos apenas alimentando nossa soberba e nossos egos absurdamente imbecis, querendo mostrar ao mundo o quanto somos evoluídos e altruístas?

E se esse cara que estamos agora expondo e apontando estiver ainda em seu processo evolutivo? E se ele só precisasse de alguém que conversasse com ele de forma realmente evoluída, explicando como aquele ato dele possa ser nocivo e como nós também já estivemos no lugar dele, por isso entendemos o lado dele, mas agora queremos apenas mostrar o outro lado da moeda?

E se esse cara que estamos usando para mostrar nosso tamanho heroísmo for só alguém reagindo como pôde depois de tanto ser motivo de chacota? E se ele era vítima e agora é a reação que ele considera adequada? Nós vamos viver sendo os elementos perpetuadores dessa eterna cultura do linchamento virtual pago com mais linchamento virtual?

Ou, pior: nos colocando na condição de superiores, soberanos e detentores do poder condenatório, “já que fomos como eles, mas agora não somos mais, então pra que entender o lado deles? Vamos aproveitar que somos evoluidões e detonar com eles. Danem-se eles, os motivos deles. Empatia? Só com quem eu acho que vai dar retorno, visibilidade e me fazer parecer fofa e querida”.

Olha, não estou aqui para defender quem faz/fala merda, porque acho que é importante DENUNCIAR AOS ÓRGÃOS COMPETENTES. Estou apenas dizendo que se somos realmente evoluídos, é hora de praticarmos dessa evolução, de fazer o que é certo, não o que é vantajoso.

Uma hora pode ser seu filho ou a minha filha a falar abobrinha fora de contexto na internet. E aí, “ah, mas quando é filho da gente é diferente”? Não, não é. Porque esse cara que você usa de bode expiatório para ser evoluidona, esse cara também tem pais, também tem família. Ou, se não tem, pior ainda.

Deixo aberta a pergunta que fiz a mim mesma ao escrever esse texto:

“Quantas vezes a denúncia foi feita aos órgãos competentes (Safernet, Polícia, Ministério Público, Delegacia, Report pro Site, etc, etc, etc) em proporção às inúmeras vezes em que nos dispusemos a apenas publicar ou replicar as mensagens idiotas, quiçá criminosas, com falas de superioridade e não fizemos mais nada além disso?”

Resumindo: “Quantas vezes foi mais importante mostrar o quanto somos engajados do que, de fato, fazer algo efetivo?”

Obrigada por ler minha (auto) reflexão.