Às vezes tentamos encaixar nossas vidas em um livro de receitas. Pensamos naquelas frases que chegam ao pé da cama nas madrugadas em que você está embrulhado no cobertor, olhando o celular e começando a perceber que facebook, instagram e o snapchat não estão suprindo a sua necessidade de não pensar em absolutamente nada. Umas frases prontas vêm a mente atormentar. Você tenta fingir que não viu. Deixa-as passarem por você. Até se esconde embaixo do cobertor. “Como ser feliz”, “Como fazer as pessoas gostarem de mim”, “Porque isso aconteceu?”, “Se eu fosse assim”. Blá, blá, blá. Todos meros pensamentos que pela manhã tendem a se dissolver na rotina diária. E, como de costume, voltar puxando a coberta e descobrindo seus pés. Justo nos dias que você esquece os portões abertos. Eu que costumo dizer que sei dar conselhos me pego notando que quem precisa de conselhos sou eu. Agora depois de uns anos estando aparentemente só e no escuro de um quarto ao som de uma banda melancólica qualquer, vejo uma luz no fim do túnel. Ou no vão da porta. Lembro-me que já passei por isso antes. Lembro-me também que na vida não tem essa. Não cabe padrão. Não cabe conselho. Não tem um porquê definido. Apenas é o que é. Quem sabe é o que eu quiser que seja. Não confie na internet quando ela promete contar o segredo da vida, do sucesso, da felicidade, da amizade, muito menos do amor. A não ser que alguém diga:

“15 conselhos para se viver bem
A vida não vem com receitas e não cabe em conselhos.
Repita isso 14 vezes.”