acaso

estou no ônibus após um longo dia. está chovendo. analiso atentamente a janela molhada. na verdade, percebo que estou apenas recordando momentos passados. a chuva que entra pela janela entreaberta me molha. indiferença. sinto a música melancólica que passa pelo fone. lembra-me alguém. engraçado. afinal, todas as músicas me lembram a mesma pessoa. estou sendo mais atingida pela avalanche de boas lembranças do que pela chuva. náusea. não no sentido literal. fecho os olhos. tenho uma vida tão agitada e não sou capaz de me concentrar em algo que não seja você. desembaço o vidro na esperança de que minha vida também seja desembaçada. sorrio. um misto de sentimentos me invade. o ônibus freia e só assim consigo me desvencilhar de devaneios sobre você. erro. os pensamentos voltam. martelam insistentemente dentro de mim. sem que eu me dê conta, a viagem acaba e o texto também.

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