Lugar de mulher é na ciência

Para ter os mesmos méritos que um homem, elas precisam se esforçar mais

Reportagem: Thays Cristine | Edição: Plínio Lopes

Apesar de nem sempre ser lembrada, a mulher tem um papel crucial na ciência. Seja no mundo da programação de computadores, na descoberta de elementos químicos ou no desenvolvimento de técnicas que facilitam o cotidiano, como o banho-maria, lá estão elas. Mulheres como Maria, Judia, Ada Lovelace e Marie Curie superaram a opressão da sociedade em que viviam para prestar sua contribuição ao mundo.

Com o crescimento dos movimentos feministas e o avanço da tecnologia, as mulheres gradativamente conseguem um espaço maior em áreas antes dominadas por homens, como a ciência. A pós-doutoranda da Universidade Federal do Paraná, Fernanda Bovo, é um desses exemplos. Juntamente com seu grupo de pesquisa, ela teve um artigo publicado na Scandinavian Journal of Immunology, revista internacional especializada em imunologia celular.

Para ela, a falta de incentivo é o principal problema enfrentado no ramo. “Nós trabalhamos muito por pouco reconhecimento, é uma área esquecida. Para driblar a falta de recurso, por exemplo, é preciso ser criativo”, conta.

Essa falta de espaço dificulta uma maior discussão sobre gênero no campo científico. Para Lennita Oliveira Ruggi, integrante do Núcleo de Estudos de Gênero da UFPR, a ciência vem passando por uma transformação, abrangendo grupos antes excluídos. “Hoje, vemos mulheres produzindo ciência no Brasil e no mundo, mas há muito trabalho a ser feito para garantir que o espaço seja igualitário”, afirma.

Lennita, que também é professora de Sociologia e Educação, cita a importância do ambiente estudantil nessa universalização das ciências. “A discussão de gênero deve ser transversal e fazer parte da gestão universitária, assim como a implantação de políticas dentro do meio acadêmico em prol da igualdade”, afirma.

Neste ano, a professora do Departamento de Química e participante do Programa de Pós-Graduação em Química, Elisa Orth, saiu do seu laboratório na UFPR para receber um importante prêmio: o Women in Science, patrocinado pela Unesco e L’oreal Paris. Ela, que sonhava em ser cientista desde os 8 anos de idade, recebeu uma bolsa de estudos no valor de 20 mil euros para financiar sua pesquisa sobre como eliminar as substâncias nocivas usadas no cultivo de alimentos por outras mais seguras.

Para chegar onde está, Elisa precisou superar alguns obstáculos: “Tive alguns professores que não acreditavam na minha competência por eu ser mulher. Entendo que isso é histórico, mas tento ao máximo me impor e exigir respeito dos meus colegas”, desabafa.

Atualmente, 28% dos pesquisadores do mundo são mulheres, de acordo com o Relatório de Ciência da UNESCO: Rumo a 2030, e em alguns países isso fica ainda mais evidente, como na Etiópia, onde o sexo feminino ocupa 13% dos cargos de pesquisador.

No Brasil, o cenário não é tão diferente. Dados do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) revelam que, nos últimos anos, as estudantes vêm conquistando uma igualdade na distribuição de bolsas de estudo. Desde 2001 até 2014, as bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado – no Brasil – eram distribuídas de forma quase igualitária. As de pós-doutorado subiram de 36 para 58% nesses últimos 12 anos, o que representa um aumento muito elevado.

Porém, para bolsas destinadas exclusivamente para pesquisa, essa porcentagem quase não mudou: foi de 32 para 36%. Se olharmos as bolsas para estudo no exterior, também nos deparamos com uma disparidade: 60% para os homens e 40% para as mulheres.

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