Juro-lhe que não sei como, mas, você há de voltar. Ah, há de voltar para mim, tão lindo com sua cor bronze, tingida pelo sol da toscana. Há de voltar, sussurrando as mais tristes canções de amor que eu ouviria dos seus mais doces lábios. Há de voltar trazendo uma cerveja barata e músicas dos anos 80 gravadas num cd arranhado. Ouviremos nos beijando, dançando e consolando as feridas do outro com meia dúzia de palavras mordidas. Depois, faremos amor, frio e doentio. Você vai chamar baixinho, pelo nome de outra, enquanto me fere sem perdão. As suas unhas sujas da estrada, cravadas em minha espinha, não me deixarão fugir. E eu, por obséquio, ficarei escutando o último refrão de you make me feel, soando no rádio antigo, rezando para que você faça eu me sentir natural pela última vez. E você não irá fazer. As cervejas continuarão congeladas no meu refrigerador, forçando-nos a desistir de beber. Do contrário, nosso silêncio se fará tão presente pelos quatro metros daquele apartamento que a única coisa racional a se fazer será chorar. E, céus, como iremos chorar, nus de dignidade ou amor próprio. Totalmente despidos de pudor, sem um pingo de narcisismo. Qualquer consolo será insuficiente até você me virar as costas pela milésima vez. E partir pela última.

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