And I’ve never seen anyone quite like you before

Apenas tava aqui ouvindo New Order e lembrando que quando eu tava na faculdade, eu morava com muitas pessoas num bueiro do CRUSP. Digo bueiro, pq né… eram tantas baratas voando…

Eu morava com as pessoas mais deprês do mundo. Eu também era deprê. Elas eram 2 góticas e eu amava elas. Elas passavam o dia inteiro com as roupas pretas, e tbm dormiam assim. E eu dizia “como ces dorme com a roupa que passaram o dia?” e elas diziam: “como ces passa o dia com a roupa que dorme?” pois eu passava o dia de pijama, já era até conhecida no bandejao por isso e também nao via problema em ir pra aula assim.

Bem, só sei que a gente se amava muito. E passava os dias e as noite ouvindo umas fitas dos Smiths, Joy Division e New Order. Às vezes a gente ouvia Enia pra dormir. Mariana era minha melhor amiga, e fazia cosquinha nas minhas costas até eu pegar no sono. Às vezes Luizemara da geologia me contava histórias de como funcionavam os planetas, que eu ficava ouvindo como uma criança ouve contos de fada à noite. E eu penso: como o universo gostava de mim, botando tanta gente boa na minha vida!

Um dia, eu fui ver um emprego, e Mariana foi me levar no ponto de ônibus. Da janela do ônibus, eu gritei: “Quando eu chegar em casa, eu vou fazer um penteado de vanguarda em você”. Mas eu nunca mais a veria. Ela morreu aos 18 anos. E aquela foi a última coisa que eu disse. Nada impactante, nada que ficasse marcado na vida dela.

Às vezes, quando tô triste, eu penso: “o que Mariana não daria pra estar triste agora? O que Mariana não faria se estivesse viva agora?”, e aí eu ouço Smiths e New Order. É isso o que ela, com certeza, estaria fazendo.

Pra você, Mariana, onde quer que vc esteja, todo meu amor.