Eu não preciso de um pai

Talvez essa história não tenha muito a ver para você que teve um pai, por toda a sua vida, ou pelo menos por um momento dela. Não estou julgando negativamente, longe de mim. Esta história vai especialmente para aqueles que, como eu, foram criados por mãe ou pai solteiros. Mas eu tenho certeza que todos vão apreciar, pois isto está saindo do fundo do meu coração e eu tenho certeza que as melhores palavras são aquelas ditas com a verdade do sentimento.

Como eu disse, fui criado por uma mãe solteira. Uma mulher guerreira que lutou por mim desde o momento em que ela soube que eu estava me formando dentro dela, até o momento de hoje em que vos escrevo este texto. E tenho certeza que continuará por mim até o fim de nossas vidas.

Enfim, essas palavras parecem mais um clichê de vida sofrida da mãe solteira brasileira. Talvez até sejam. E, talvez, seja por isso que muitos irão se identificar.

Quis escrever este texto logo após eu assistir o episódio 2 da 6ª temporada de “How I Met Your Mother”. O episódio em que Barney finalmente assume para sua mãe que ele não precisa saber quem é seu pai, pois ele sempre teve um pai e uma mãe na mesma pessoa. É exatamente como eu me sinto. Não vim aqui para menosprezar a figura paterna, jamais. Mas é como alguns dizem: uma família “completa” começa com um pai e uma mãe. Não sei se falam isso para menosprezar aqueles que criam seus filhos sozinhos ou se falam apenas por mera falta de conhecimento de mundo.

Já ouvi muitas piadinhas sobre “tu não sabe quem é teu pai” ou “tu nunca fez coisas que eu já fiz com meu pai”. Sabe de uma coisa, isso nunca me machucou mesmo. Eu nunca senti esse vazio de figura paterna pois minha mãe sempre esteve ali. Lembro bem de quando eu tinha 12 anos, estava na 5ª série no Colégio da Polícia e eu sempre quis treinar numa escolinha de futebol. Em muitos os filmes, o pai sempre leva o filho para treinar e assiste seus primeiros passos como um esportista. Lembro também desse dia em que minha mãe largou o trabalho numa tarde e me levou para o meu primeiro treino na escolinha do Fortaleza Esporte Clube. Eu chorei naquele dia por causa daquele ato dela, acho que ela nunca soube.

Nunca me faltou nada: comida, casa, roupa, dinheiro da passagem. Mesmo quando ela não tinha nada no bolso, eu nunca passei fome ou qualquer necessidade. Ela sempre me colocou à frente de tudo. Como eu posso sentir falta de algo ou alguém quando eu sei que ela trocou tudo por mim. Um ótimo emprego em que ela ganhava muito bem, para ficar trocando fraldas e acordando no meio da noite com choro de criança.

Se hoje eu estudo, é por ela. Se hoje eu trabalho, é por ela. Faço isso pensando em mim também, é claro. Mas a minha maior motivação é tentar retribuir ao menos um pouco de tudo o que ela me deu. Eu não me vejo sem ela, eu não consigo me imaginar em qualquer situação da minha vida, de felicidade ou tristeza, sem ter ela do meu lado. Eu posso ficar sem esposa, sem emprego ou sem qualquer perspectiva de futuro. Mas sem ela eu simplesmente não aceito. A verdade é que, nada para mim é mais importante que ela.

Mãe, me desculpa por tudo. Eu sei que eu erro, eu vacilo e eu já te decepcionei muito nesta nossa vida. Mas eu quero que saiba que eu te amo muito, mais do que tudo. E que todos os dias em que eu acordo, eu quero ser um filho melhor do que eu já fui. Eu não sei como eu vou conseguir retribuir tudo o que você já fez por mim, mas saiba que o que eu mais quero é te ver feliz, seja como for.

E vai ser sempre assim, mãe, eu por você e você por mim, até o nosso fim.

Quem dera que, por um descuido, Deus tivesse te feito eterna. Eu sei que não sou um cara religioso, mas é quando eu penso em você que eu penso em algo maior. E não duvide, eu não consigo apontar um erro sequer em você.

Eu te amo mais que tudo, obrigado por existir. Meu pai tem nome e sobrenome: Sandra Cavalcante.

Eu te amo, mãe.