O que a vida fez da nossa vida?

O que a gente não faz por amor?

Querida amiga, 
A gente têm se falado pouco. Pra falar a verdade a gente tem se falado é nada. Há muito tempo, eu bem sei disso. Sem querer dividir as culpas, percebi que a subtração somou o que somos hoje. E sei também que as coisas mudaram pra valer e pra melhor. Afinal, o futuro é o melhor lugar possível pra se estar se a gente ainda tiver oportunidade de vivê-lo. A questão aqui nem é a saudade, porque esse é o tipo de sentimento que caminha ao meu lado e seguindo meus passos.

A questão aqui é a verdade. É o hoje, o agora, o simbolismos, as reflexões, as conexões e todas as outras possíveis variáveis que nos fizeram entender o papel da outra. Como ficaram todos esses buracos e perguntas sem respostas? Como ficaram aqueles dias azuis sem um pingo de amargura? Como ficaram aquelas lembranças do Facebook? A gargalhada seguida do silêncio?

Sem querer buscas todas as respostas do mundo, eu só queria te dizer que está tudo bem e continuará tudo bem. Quer dizer, depende do ponto de vista: viramos oposição, algumas pessoas estão morrendo e o retorno de 1964 vem aí. Um juiz ajudou arquitetar um golpe de estado, prendeu sem provas o candidato à presidência que mais tinha votos e colaborou pra colocar um maluco no poder. Fora isso, tudo caminhará na mais santa paz de Deus em nossos corações.

O Brasil vai seguir sem corrupção, as desigualdades sociais vão acabar, consequentemente os problemas mentais também e seremos mais saudáveis de corpo, alma e coração. Vamos nos despir de tudo isso: o egoísmo, o patriarcado e os agrotóxicos. Vamos parar de dar dinheiro pra indústria farmacêutica que só lucra com toda essa baderna, dopando o povo que ainda não caiu na real que ela é a grande responsável por tudo isso que está aí. Tipo aquele livro do Orwell, mesmo.

Eu te prometo que por aqui está tudo bem, confie. Tô aproveitando alguns lados bons da vida, tentando cuidar da saúde, da sanidade, da minha gata que antes eu achava ser um gato: oLula virou a Lula. Sigo gostando quando bate aquela fresta de sol no fim da tarde que esquenta o rosto e me lembra: o mundo arde, acorde. Sempre tem uma musiquinha tocando no fundo, um abraço apertado, um cheiro verde, um risinho com ou sem graça. Nada mudou, só os caminhos que a gente seguiu.

Se alguma versão de mim algum dia te amou, as outras consequentemente também vão amar. Mesmo de longe, mesmo no fim. Guarde as palavras, convoque seu Buda e seja forte. Obrigada por ter passado por aqui.