A utopia me faz companhia.

Fevereiro de 2014.

Nesse mês foi quando eu comecei o primeiro ano em Pedagogia, mais animada com a educação no Brasil, impossível! O primeiro ano, como já haviam me dito seria de muita teoria e eu provavelmente pensei que seria entediante mas o que aconteceu foi totalmente o contrário! Eu nunca havia me visto com tanto interesse em leituras, releituras e teorias sobre a educação brasileira como estava em 2014! Eu tinha 17 anos, estava no primeiro ano da faculdade, motivada, ansiosa e esperançosa, esperançosa não só por mim, mas também pelas minhas colegas de classe (na minha turma só haviam mulheres, outro problema, mas para outro dia), as quais eu achava que estariam tão entusiasmadas quanto eu estava. Minha mãe é Assistente Social, sempre conversamos e debatemos sobre assuntos sociais, quando chegava em casa com uma nova ideia ou querendo contar o que havia “descoberto” era sempre recebida com motivação e fé; infelizmente, minhas colegas de classe não eram tão motivadas quanto eu/minha mãe(ou o quanto eu achava/acho que deveriam estar).

Não fiz disso um problema, dei aula de artes, produção textual e nos últimos 3 meses fui mediadora de alune com Síndrome de Asperger, outra coisa que me fez afundar em livros.

Então, veio Fevereiro, 2015. Eu estava em outra cidade, em outro estado e transferida para um outro curso: História. Minha matéria favorita na escola, na vida, na roda dos “papo cabeça”. A licenciatura que me faria capaz de debater sobre geopolítica, estudos sociais, civilizações antigas, Marx, materialismo histórico, aprofundaria minhas raízes e melhor EDUCAÇÃO still on the game PÉÉÉÉÉÉ decepção number 2. Não. Não vi colegas interessados, compreendendo e me senti isolada e querendo voltar pra Pedagogia, eis o meu problema: não era ruim ter liberal na minha sala, não era ruim ter gente que não lida com materialismo histórico ou não entende bulhufas de filosofia e afins, meu problema era “Qual o sentido de fazer licenciatura, senão para se dar ao luxo de ser utópico na educação?”, “Qual a intenção de alguém que não quer nem entender os caminhos da educação brasileira?”, “Por que ninguém quer saber da LICENCIATURA?”

No segundo ano de faculdade meu ânimo já não era mais o mesmo, minha motivação já estava pela metade afora, eis que conversei com a minha mãe (naquelas conversas do porquê da vida, pra onde vou, de onde vim), e a única coisa que ela me disse foi “Seja grata por ser você, por ter as suas ideias e por ser capaz de compartilha-las”, e eu resolvi então ser grata. Estou sendo grata. Me coloco então no lugar de multiplicadora. A utopia, talvez, tenha feito as pazes comigo, ou eu com ela. A vontade, motivação, entusiasmo e fé não me abandonaram e eu fiz a minha escolha (a vida é feita delas) de me dar ao luxo da utopia, tentar entender a educação brasileira e o melhor, eu quero saber da licenciatura. Mesmo que no currículo do curso esteja falha a questão “educação” , eu posso fazer a diferença… é, a utopia ainda é minha melhor amiga.

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