First porst or Why I wish I were a hirsute bourbon drinking hermit

This is my first blog post. Ever. [This post was initially published in September, 2015.] These are also the first words I’ve written for pleasure — and hopefully somewhat professionally — since 2008. If you can bear a cliché paragraph I promise it will be one of only a few. Or one of many, who the hell knows. I’m rusty.

Writing was always my thing. I was probably at my most prolific at ages 4–10, coming back briefly whilst a teenager with a handful of magazine articles and finally publishing my first book a week into my 25th year on this planet. It was beautiful, fulfilling, rewarding, it was flow. And then there was nothing. A colossal drought of the written word in my life brought to you by, firstly, the absolute indecision regarding what to write about next and, secondly, an equally unimaginative need to pay my bills.

Anyway, having watched copious hours of television growing up — usually whilst doing homework, recording a mix tape from the radio and perusing a magazine — I thought being a writer meant becoming a hermit, relocating to a chalet by a frozen pond in the cold snowy mountains (a bit inconvenient having lived in Brazil most of my life), drinking industrious amounts of coffee and whiskey (I’m more of a tea, vodka person), growing a beard (well, that one is especially hard) and eventually prancing back to the big city with a best-seller-gone-movie in your battered leather bag. Oh, and you had to be American. When faced with the decision of becoming a professional book writer, I went through that checklist and all I had in common with my fantasized Graham Greene character was the battered leather bag. Deep into the business of sport and marketing I dove, emerging only now, seven years later, hoping to not have peaked at age 8, or 25…

Finally landing my Olivetti dreams into the second decade of the 21st century, I realize a writer can — perhaps should — be the opposite of a recluse. Well, you can still lock yourself up in that cabin in Minnesota and isolate yourself for months on end whilst sipping bourbon through your mustache. Some part of you though must be out in the world, least it be the online world.

The intrawebs tells me in today’s world one builds one’s audience online, even before there’s a book. I like that. Hermit writer lives not with the gift of feedback. Hermit writer only finds out what others think of his trade once his words are inexpungible, made positively public in real ink on your paperback or 212 PPI E ink on your kindle screen.

Stephen King, who knows a thing or 350 million about selling books, believes one should write with the doors closed, rewrite with the doors open. I couldn’t agree more when one is a fiction writer. When one is dedicated to understand human behavior, however, one should kick open every door and invite humans in for a chat.

If I may continue to quote Mr. King having only read one of his books (On Writing, self explanatory subject, great stuff):

“Write what you like, then imbue it with life and make it unique by blending in your own personal knowledge of life, friendship, relationships, sex and work. Especially work. People love to read about work. God knows why, but they do. If you’re a plumber who enjoys science fiction, you might well consider a novel about a plumber aboard a starship or on an alien planet.”

Well, I’m a change addict who enjoys writing or a writer who’s addicted to change. There are no extraterrestrial spacecraft clogged pipes in the picture so far, but I want to share my stories of change (cities, homes, boyfriends, jobs, professions, styles, perceptions, boyfriends, jobs, identities, and, of course, haircuts) and, perhaps most importantly, I want to hear about yours. Why do you think so many find more comfort in the face of lethargy at best and misery at worse than in the risk of enjoyment? Why doesn’t everyone adore the unknown as much as I do? Perhaps you do, too?

Please, human, come in, have a sit, maybe a little bourbon, and open up your heart.

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Este é meu primeiro post em um blog. Na história. [Este post foi publicado pela primeira vez em setembro de 2015.] Estas também são as primeiras palavras que escrevo por prazer — e, vá lá, profissionalmente — desde 2008. Se você pode sobreviver a um parágrafo cheio de clichês, prometo que será um de poucos. Ou um de muitos, vai saber. Estou enferrujada.

Escrever sempre foi a minha praia. Vivi minha fase mais prolífica entre os 4 e 10 anos, ressurgindo brevemente na adolescência com alguns artigos para revistas e finalmente publicando meu primeiro livro aos 25 anos e uma semana de existência neste planeta. Foi lindo, foi recompensador, foi absoluto, foi plenitude. E, então, o vazio. O colossal deserto da palavra escrita, cortesia, primeiro, da indecisão absurda sobre um novo tema e, segundo, a igualmente prosaica necessidade de pagar minhas contas.

Tendo assistido a copiosas horas de televisão desde pequena — em geral, enquanto fazia lição de casa, gravava uma fita no rádio e lia Capricho –, criei a imagem do escritor ermitão, que se mudava para um chalé à beira de um lago congelado aos pés de montanhas nevadas (deveras inconveniente para quem passou quase toda a vida no Brasil), bebia doses industriais de café e uísque (me apetecem chá e vodca), deixava crescer a barba (bom, especialmente difícil) e, no final das contas, saçaricava de volta para a metrópole com um best-seller-roteiro-de-filme-blockbuster na batida bolsa carteiro de couro. Ah, e, claro, ele era americano. Quando precisei encarar a decisão de me tornar escritora profissional, chequei a lista acima e a única coisa que meu Graham Green imaginário e eu tínhamos em comum era a bolsa de couro surrada. Lá fui eu então mergulhar no universo do marketing esportivo, emergindo somente agora, sete anos depois, esperando não ter chegado ao pico da minha carreira aos 25 anos de idade, ou aos 8…

Finalmente aterrissando meus sonhos da Olivetti na segunda década do século 21, dei-me conta de que a escritora pode (talvez deva) ser o oposto da reclusa. Bom, você ainda pode se trancar no chalé em Minnesota e se isolar por meses a fio enquanto sorve uísque pelos bigodes. Mas ao menos uma parte, aquela que vive no mundo virtual, precisa estar exposta.

A internet me conta que no mundo de hoje é possível construir uma audiência online, antes mesmo de haver um livro. Me gusta. A escritora ermitã vive desprovida do privilégio do feedback. A escritora ermitã apenas descobre o que os outros pensam da sua arte quando suas palavras já se tornaram indeléveis, feitas inexoravelmente públicas em tinta de verdade no seu livro ou e-tinta 212 PPI na tela do seu kindle.

Stephen King, que sabe uma coisa ou 350 milhões sobre vender livros, acredita que devamos escrever com as portas fechadas e reescrever com elas abertas. Concordo plenamente quando o assunto é ficção. Mas se o objetivo do escriba é entender o comportamento humano, portas devem ser derrubadas e os humanos convidados para um bate-papo.

Se me permitem continuar a citar o Sr. King, tendo lido apenas um de seus inúmeros títulos (On Writing, tema autoexplicativo, ótimo livro):

“Escreva sobre o que você gosta, então imbua de vida e torne único misturando seu próprio conhecimento da vida, amizades, relacionamentos, sexo e trabalho. Especialmente trabalho. As pessoas adoram ler sobre trabalho. Só Deus sabe porquê, mas é verdade. Se você é um encanador que gosta de ficção científica, pode muito bem considerar uma história sobre um encanador a bordo de uma nave espacial num planeta alienígena.” [tradução livre]

Eu sou uma viciada em mudança que gosta de escrever ou uma escritora viciada em mudança. Não há canos entupidos em cosmonaves extraterrestres nesta história, por enquanto, mas quero dividir as minhas histórias de mudança (cidades, lares, namorados, trabalhos, profissões, estilos, percepções, namorados, trabalhos, identidades e, claro, cortes de cabelo) e, ainda mais importante, saber das suas. Por que você acha que tanta gente se sente mais confortável diante da letargia e talvez até da infelicidade do que no risco da alegria? Por que nem todos adoram o desconhecido tanto quanto eu? Talvez você adore também?

Vamos entrando, humano, sente-se, tome aqui um uísquezinho e abra o coração.