DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS: RESPONSABILIDADE DO FUNCIONÁRIO OU DA EMPRESA?

Há muito tempo que a relação entre empresa e colaborador deixou de ser paternalista.

Antigamente as pessoas estavam acostumadas a entrar numa empresa e ficar lá a vida toda. Funcionários se dedicavam sem muitos questionamentos e empresas davam segurança e estabilidade em troca.

Era comum que uma pessoa passasse a vida toda exercendo exatamente a mesma função.

Aos poucos o conceito de planejamento de carreira foi mudando. A tal da “estabilidade em primeiro lugar” foi cedendo espaço para uma vida profissional mais dinâmica com mais importância para realização pessoal (financeira, moral, social), equilíbrio e propósito. Enfim, todas aquelas coisas que todos nós já sabemos (ou pelo menos deveríamos saber).

Mas qual é o papel da empresa no desenvolvimento das carreiras de seus colaboradores?

Já faz tempo que as empresas perceberam e se adaptaram à esta nova era nas relações com seus funcionários. Algumas fazem um trabalho impecável. Eu mesmo tive a sorte de desenvolver parcerias de sucesso com algumas empresas que estão na vanguarda do assunto.

Por outro lado, vejo ainda algumas que ainda não compreenderam este cenário. E elas estão ficando para trás.

Há alguns dias recebi algumas opiniões contrárias ao tema de um texto que escrevi incentivando empresas a investirem no desenvolvimento de seus funcionários. Ouvi que isto é responsabilidade única e exclusiva dos próprios colaboradores e que cada indivíduo deve ser responsável pelo seu próprio desenvolvimento.

E eu, obviamente, não discordo deste argumento. Sim, nós somos os maiores interessados pelo nosso próprio crescimento e não podemos transferir esta responsabilidade para mais ninguém. Mas acredito que existe sim a necessidade e um papel mais ativo das empresas neste sentido.

As organizações (grandes ou pequenas) que transferem toda a responsabilidade do desenvolvimento de carreira para os seus colaboradores estão, no mínimo, perdendo uma oportunidade de ouro de aprimorar e guiar aqueles que são seus principais recursos.

Eu ouço frequentemente dos executivos que atendo em meu escritório a mesma reclamação: “Os membros da minha equipe reclamam por promoções, mas ninguém se preocupa em trabalhar os seus próprios pontos fracos. ”

A minha resposta é sempre a mesma: “O que você ou a sua empresa estão fazendo, de fato, para contribuir com isto? ”.

O fato é que a maioria das empresas ainda faz muito pouco.

Há aquela famosa reunião semestral de planejamento de carreira, na qual o gerente “ouve” dos membros da sua equipe o que eles desejam para a própria carreira e aproveita para despejar uma série de feedbacks sobre pontos de melhoria. Desta reunião, cria-se (ou não) um planejamento de carreira, normalmente muito precário e com pouquíssimas chances de ser seguido. E só.

O que todos sabem (mas poucos tem coragem de admitir), é que isto vira parte daquele teatro corporativo, que só serve para cumprir tabela e ter a falsa sensação de que algo foi feito.

Em bom português: “Me engana que eu gosto”.

É preciso que as empresas compreendam que elas possuem parte da responsabilidade de crescimento dos seus funcionários. Cabe às organizações propiciarem o espaço necessário para incentivar e direcionar tal crescimento.

Destaco aqui alguns fatores importantes:

  • Criação de um espaço verdadeiramente colaborativo, no qual a busca por autodesenvolvimento e diversidade seja incentivada e reconhecida.
  • Ferramentas e condições para que os colaboradores tenham acesso à conhecimento sobre seus pontos fortes e seus pontos a desenvolver.
  • Processos internos que favoreçam o diálogo claro e aberto entre funcionário e chefe de maneira eficiente, focada e continua.
  • Acesso à ajuda externa, quando necessário.
  • Clareza de objetivos e alinhamento entre objetivos pessoais e organizacionais.
  • Líderes devidamente treinados e capacitados para extraírem o melhor de suas equipes.

Ressalto que tais fatores não são mais meramente ideológicos. Já está mais do que provado que eles contribuem diretamente para o resultado das empresas que os aplicam. Dentre os resultados mais alcançados, gostaria de destacar alguns:

  • Diminuição do turnover (que, no Brasil, significa gasto de dinheiro para demitir e para contratar).
  • Capacidade de os gestores cobrarem melhores resultados dos seus colaboradores.
  • Desenvolvimento de funcionários mais preparados para assumir novas posições e promoções internas
  • Aumento da satisfação de clientes (afinal, seus funcionários são a identidade da sua empresa).

Enfim, se ainda restam dúvidas, lembrem-se que funcionários mais qualificados e com melhores condições de autodesenvolvimento rendem mais. E empresas com funcionários que rendem mais, lucram mais. Simples.

Nada disso vai eximir o seu colaborador da sua própria responsabilidade de ser sempre melhor. Muito pelo contrário, dando condições para o seu desenvolvimento, você oferece uma estrada pavimentada para que ele a percorra com seu próprio potencial (e você verá quem tem, de fato, um bom motor).

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