Meu melhor argumento de neurociência para o Coaching

Tradução autorizada pela minha amiga e neurocientista Ann Betz, do seu blogYour Coaching Brain.

Espero que gostem tanto quanto eu…

“ Ultimamente eu venho ponderando profundamente sobre como responder à pergunta “Por que Coaching? ” pela perspectiva da neurociência, numa linguagem mais simples possível.

Quais são os pontos principais e mais importantes para que as pessoas entendam? Bom… aqui vai o que eu lhe falaria se você me perguntasse em uma festa “Qual é o argumento para o Coaching, do ponto de vista da neurociência? ” (Não que tenham me perguntado isto, mas sonhar não custa nada).

Eu falaria: “hm… há pelo menos três grandes pontos.

Um. O cérebro humano é neuroplástico e pode mudar. O Coaching é uma das melhores maneiras de facilitar esta mudança — e é muito, muito difícil de fazê-la sozinho (a).

Dois. Nós tendemos à não sermos totalmente integrados como seres humanos. O Coaching nos ajuda a integrar vários aspectos de nós mesmos, o que nos torna muito mais efetivos.

Três. Nós somos muito programados para reagir. O Coaching nos ajuda a criar e escolher, ao invés de sermos controlados pelas nossas reações.

Mas deixe-me falar um pouquinho mais sobre tudo isso:

  1. O cérebro humano é neuroplástico e pode mudar.

Todas os nossos mais desgastados hábitos criaram o que o meu amigo Jeff chama de “marcas de rodas de carroça” no nosso cérebro. Quanto mais usamos um caminho neural, mas desenvolvido ele fica.

Esta é uma ótima novidade quando você está aprendendo a tocar um novo instrumento — todas as vezes que você encosta os seus dedos nas cordas ou teclas, você reforça o caminho daquele movimento e, normalmente, se torna melhor.

Isto também é o que nos mantém travados.

Por exemplo, se eu tenho um “caminho” neural de não falar em reuniões (talvez baseado numa necessidade de sobrevivência), e se eu estou usando este caminho há muitos anos, então as “marcas das rodas da minha carroça” serão muito profundas. É por isto que é tão difícil mudarmos sozinhos, mesmo sabendo que estas marcas não nos ajudam em nada.

Trabalhar com um coach ajuda a criar novos caminhos neurais, usando diversas estratégias.

Entre elas, um coach ajuda uma pessoa a ter acesso à novas perspectivas, à novas visões de futuro ou mesmo à olhar diretamente para algumas situações — ao invés de evita-las.

Estas são algumas maneiras de potencialmente criar novos caminhos neurais que podem, com prática, tornar-se novos hábitos e novos padrões.

O coach também fornece uma estrutura de “prestação de contas” para que a prática realmente aconteça (todos sabemos que temos mais probabilidade de fazer algo novo se nos comprometemos com alguém e sabemos que este alguém espera um resultado). E é a pratica em si que formará novos caminhos.

2. Coaching nos ajuda a integrar vários aspectos de nós mesmos

Fomos ensinados a compartimentalizar ou até a “desligar” as nossas emoções. Aprendemos a agir de maneira diferente em casa, no trabalho e com amigos.

Muitas vezes nós vivemos sem saber quem nós realmente somos, o que queremos, ou o que verdadeiramente sentimos. Nosso cérebro as vezes parece com músicos tocando diversos instrumentos, mas em salas separadas. Em uma determinada sala ouvimos Mozart, em outra dance music, e etc…

As ferramentas e habilidades de coaching fazem com que o nosso cérebro fique mais conectado para que pareça mais com músicos tocando, juntos, uma sinfonia.

Na verdade, há muito pouco que um bom coach faz que não promove de alguma forma a integração dos nossos clientes.

Por exemplo, algumas técnicas, vão promover o desenvolvimento do tecido que liga os dois hemisférios (esquerdo e direito) do cérebro. Outras vão ajudar a criar fibras integrativas em áreas do cérebro associadas à empatia, e assim por diante…

3. O Coaching nos ajuda a criar e escolher.

Como vocês já sabem, somos programados para “lutar ou fugir”. Nosso cérebro reptiliano, também conhecido como sistema límbico, foi a primeira parte do cérebro a desenvolver-se evolutivamente. Ele nos controlou por centenas de miliares de anos, garantindo a nossa sobrevivência.

Quando estamos “límbicos”, como um dos meus clientes diz, nossos corpos e cérebros estão inundados com adrenalina e cortisol, que são destinados justamente para não deixar que pensemos.

Se um predador vem em sua direção, você não quer que o seu cérebro esteja no comando: Você quer que seus pés se movam e que você seja mais rápido e forte que o normal, mesmo que você fique cansado depois.

Mas em 2016 não temos muitos predadores. Temos apenas e-mails chatos, filas no supermercado, crianças chorando e transito. Mesmo assim, o nosso sistema límbico está agindo quando não precisamos dele, e isto nos impede de criar, pensar e escolher apropriadamente.

O Coaching ajuda as pessoas a saírem de seus sistemas límbicos e a pensarem com o cérebro superior. Quando o cérebro superior entra em ação, ele libera uma substancia chamada GABA que está associada ao controle da ansiedade, e acalma o nosso sistema límbico.

Somados aos outros aspectos mencionados acima — neuroplasticidade e integração — quanto mais um coach ajuda seus clientes a sair do sistema límbico para o cérebro superior, mais fácil fica para o cliente fazer tudo isto sozinho: Olhar novas perspectivas, estar mais presentes e criar novos caminhos…

Algumas vezes, clientes falam até que “escutam a voz do Coach” nas suas cabeças, ou se perguntam “o que o meu coach faria”, mas eu não acho que isto é uma dependência. Ao contrário, é uma forma de conseguirem mais força e eficiência na hora de criarem novos caminhos para si mesmos.

Existem várias outras razões para que o Coaching seja efetivo pela perspectiva da neurociência. Mas, pelo menos por hoje, estas são as três principais. O que acham?

Com carinho,

Ann”