O Pessimismo de Rousseau e o Câncer Brasileiro

O Estado como um órgão limitado pelo poder do povo e não como um corpo autônomo, característica fundamental do pensamento político de Rousseau. Neste raciocínio, o filósofo define o Governo como o corpo administrativo do Estado, e como tal está sujeito às aspirações do corpo civil. O Brasil no qual vivemos se encontra em uma peculiar situação. Os desmandos gerados por um modelo de governo sem fundamento estão gerando insatisfação social e atrasando o país economicamente.

Para tanto, temos em cada local do globo costumes e culturas diversas, bem como necessidades que se diferenciam, por isso as formas de governo clássicas para Rousseau, tais como a monarquia, aristocracia, e a democracia variam no espaço e no tempo, possuindo assim papel secundário no Estado.

Assim sendo, o “povo” possui o papel primordial na construção e na manutenção de uma sociedade harmônica. Por isso, não é de se estranhar as marchas contra o governo, os discursos inflamados de ódio e a insatisfação generalizada.

Apesar de o povo ser soberano, Rousseau nos adverte da tendência degenerativa dos governos frente a soberania popular. Pois, “o governo tende a ocupar o lugar do soberano e constituir-se não como um corpo submisso, como um funcionário, mas como poder máximo”, então se o povo esquecer-se de seu papel frente ao executivo, logo terá extinguido sua liberdade. De igual forma devemos nos voltar para os membros do legislativo cuja tendência é a de agirem em nome de si mesmos.

Segundo o autor, no momento em que se dá representantes significa uma sobreposição de vontades, assim inexiste a vontade de quem os escolheu. Em nossa atual conjuntura encontramos certa semelhança entre o pensamento do filósofo e nossa realidade, uma pena, pois aqueles poucos escolhidos para criarem Leis que possam garantir à segurança e a prosperidade, expressão da vontade social que através das Leis estatui a si mesma a liberdade, de acordo com o pensamento de Rousseau.

Portanto, a visão “pessimista” do filósofo, nos dá a entender que o governo atua neste país tal qual um câncer, degenerando o corpo do Estado e extinguindo a Liberdade do Homem. No entanto, a fé não se deve perder em nossas instituições democráticas, que tanto lutamos para estabelecer. Por isso, é preciso lutar contra os abusos e os desvios de nossos representantes, mas, sem enfraquecer o Estado Democrático de Direito. Atuando no limite de nossas leis. Só assim, poderemos construir dias melhores.