O Quarto

The Flick
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Aug 28, 2017 · 2 min read

Um corpo no chão se contorce, em posição fetal, um corpo que cresceu demais. Me vejo sozinho, vestindo minha pele, disfarçado de mim num quarto sem fim.

Na minha frente uma porta, com uma placa que indica, saída. No meu bolso um molho de chaves, todas aparentemente iguais, são infinitas. Testo uma por uma, de forma desesperada, ofegante. Desisto.

O quarto escurece, minha pupila dilata e me confundo na escuridão e sumo no breu, grito numa frequência que apenas um surdo pode escutar. Acendo um cigarro atrás do outro e finalmente sinto o alívio que a dor no estômago me traz.

A fumaça branca contrasta com o nada e vai modelando meu rosto. Apenas a brasa me ilumina.

São semanas, meses, talvez anos, a escuridão, o desespero e eu.

Deito sob meus braços enquanto olho pra cima, a escuridão me completa e eu a contemplo, faz tanto tempo que viramos um, e há tempos somos iguais. Mas a existência me deixa a cada minuto que passa, como me disseram uma vez “não se vive sozinho”.

O silêncio finalmente se quebra, como um raio que rasga o céu escuto um som de fechadura, a porta se abre e uma luz passa entre o vão e a porta. Passo a mão em meu rosto e calmamente me levanto.

Fecho a porta com força, meto a mão em meu bolso, e com a primeira chave que pego no bolso tranco minha única saída, misturo as chaves.

As sombras me abraçam e volto a ser eu.

Acendo mais um e espero pela volta do alívio que a dor me traz.

05/08/17

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