Autumn’s first day

Uma história real

“Minha irmã fez brownies, você quer?” eu pergunto, enquanto estamos eu e ele em meu quarto, sem muito o que fazer.

“Quero! Sempre ouvi que sua irmã faz brownies muito bons.”

O dia estava frio, estávamos de casaco, minha mãe estava me fazendo passar vergonha como sempre. Brownies quentinhos estavam na mesa, estava passando algum desenho na televisão, minha irmã estava esperando por nossa reação sobre os brownies.

“Estão muito bons, Alice. Vamos casar.” ele diz, rindo, com brownie na boca. Eu rio também, mas sinto um pouco de ciúme. Minha irmã era bonita e sabia cozinhar, por que ele iria preferir a mim?

Depois voltamos para o meu quarto. Ele passou pela porta e eu fiquei a encarando por um momento.

“Eu devia fechar ou não?” eu pergunto.

“Acho que não”, ele responde. “Não estamos fazendo nada”.

Eu apenas concordo e sento na cama. Quando o faço, ele imediatamente levanta e corre para meu armário cheio de bagunças, e então diz:

“Vamos ver suas coisas!” com um sorriso retardado no rosto. Eu suspiro, em partes porque adorava aquele sorriso, em partes porque odiava aquela bagunça, mas levanto e abro as portas do armário.

“Tudo bem, pode ver” eu digo e ele mexe em algumas coisas, até alcançar uma coisa.

“O que é isso?” ele pergunta.

“Ah, é a coleção de limpador de cachimbos da minha irmã” E realmente era.

“Ela fuma cachimbo? Mas ela tem 12 anos!” ele parece surpreso, como se isso fosse realmente possível. Eu rio da cara dele.

“Não, e ela tem treze anos.” O corrijo. “Ela faz bichinhos com eles, olha”.

Eu mostro a ele os bichos que minha irmã fazia com limpadores de cachimbo. Pego tudo e levo até a cama, e ficamos vendo os limpadores e os bichos. Tinha um dragão para lápis, uma lagarta, um caranguejo e uma cenoura até. Ele gostou de tudo.

“Olha!” ele pegou um pedaço azul e verde bem pequeno de limpador de cachimbo e enrolou no dedo. “É um anel.”

Então ele pegou outro igual e enrolou no meu dedo, aquele dedo que você coloca aliança.

“Pronto, estamos casados.” ele mostra seu dedo envolto em um limpador de cachimbo. Eu ri, mas foi mais de nervoso, só de pensar que um dia poderíamos estar mesmo casados.

“Pode ficar pra você”, eu digo, ainda rindo. “Tem bastante aqui.”

“Ei, olha a hora. Eu preciso ir.”

“Ah, ok.”

“Você vai comigo.”

“O quê?” questiono.

“É, até aquele morro que tem a descida. Ok?” ele pergunta.

“Hm. Ok.”

Saímos então de casa e ele diz:

“Não seria bom pegar um guarda-chuva?”

“Ah, não vai chover, eu acho.”

Me arrependi um minuto depois.

Estava chovendo tanto que eu senti medo de ser arrastada pela chuva. Ficava até difícil subir a colina que separava minha casa da dele. Lembro até hoje, ele dizendo:

“Que droga! Por que o outono tinha que começar hoje?

Eu me senti uma idiota por não ter pegado um guarda-chuva. Mas chegamos até o topo da colina.

“Adeus!” eu digo, quase me virando.

“Ei, espera. Beijo.” ele abriu os braços e eu tentei raciocinar o que ele estava me pedindo.

Eu podia beijá-lo naquele momento e dizer que foi ele quem me pediu. Mas não podia fazer isso, ia acabar com a amizade e tudo isso.

Ele me abraçou forte e eu beijei sua bochecha, então ele me disse:

“Adeus!” e não olhou para trás, enquanto eu fiquei parada na chuva, naquele primeiro dia de outono.

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