O Jornalismo pós Trump

Análise do módulo impresso

A revista Piauí publicou na sua edição 123, em dezembro de 2016, uma longa reportagem escrita pela jornalista Daniela Pinheiro referente ao impacto gerado pela vitória de Donald Trump diante das eleições dos Estados Unidos da América.

Em sua primeira análise, o texto descreve as últimas horas antes da escolha de Donald Trump como presidente. Daniela relata a respeito da redação do jornal Washington Post, onde inúmeros jornalistas esperavam pelos resultados ansiosamente, organizando como seriam as possíveis reportagens a serem publicadas após toda essa repercussão. As pesquisas apontavam Hillary Clinton à frente. A vitória da primeira mulher presidente dos EUA já era uma questão quase certa para a imprensa, que estava preocupada em acumular o maior número de reportagens possíveis a respeito desse fato.

No entanto, isso não se sucedeu. Trump venceu às eleições americanas com 276 delegados. Após o anúncio do resultado, a jornalista retratou a redação como um ambiente totalmente despreparado. Nesse sentido, era necessário pensar novas reportagens e análises, descartando todo o material que já havia sido escrito. O silêncio reinava na redação. Diante disso, o texto esclarece e faz o leitor tentar entender tamanho equívoco da imprensa e das pesquisas. Apurações totalmente imprecisas. Como o erro havia sido tão feio? Era apenas essa pergunta que pairava.

A população não apenas americana, mas de diversas lugares do mundo, não esperava por esse acontecimento. Nem os jornais, nem os eleitores. Segundo Steven Ginsberg, editor de política do Post , a rejeição à mídia virou parte importante na estratégia de campanha de Trump. E funcionou. O então presidente dos Estados Unidos ganhou credibilidade criticando à imprensa. E após sua eleição, as críticas à mídia e ao jornalismo aumentaram.

Em diversas partes do texto, a autora cita inúmeras opiniões de diferentes pessoas que relatam a antiga relação de Trump com a imprensa. O professor da Universidade George Washington, Robert Entman enxergava inúmeras falhas por parte dos jornalistas. “Um dos maiores erros teria sido tratar Trump político como Trump celebridade. Controlando a imprensa, ele pavimentou seu caminho para a Casa Branca” afirmou o professor. Assim, uma das principais incorreções da imprensa foi a descrença de que a candidatura de Trup realmente pudesse acontecer.

A partir disso, é possível que se tenha uma análise das falhas para que dessa forma, se possa evitar que voltem a ser cometidas. Além disso, o jornalismo necessita de uma ampla apuração dos fatos. Não há espaço dentro dessa profissão para o descarte de possibilidades, é necessário todas as considerações. Tudo deve ser pensado e repensado, inúmeras vezes.

Ao fim da reportagem, Daniela menciona que as assinaturas dos jornais cresceram após os resultados. Estamos inseridos em uma sociedade na qual não é possível viver sem a informação. Diante disso, a notícia tornou-se essencial.

Por Juliana Pospichil

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