Ainda vivo, porque escrevo

E desenvolvo software, porque me isolo

"Seashore by Moonlight"

Essa sexta-feira passei boa parte do tempo resolvendo um algoritimo de busca para um projeto da empresa. No meio tempo, li um livro, pedalei e escrevi artigos aqui. Eu sempre escrevi, desde os treze anos, quando fiz meu primeiro romance num carderno de escola. Desde então, nunca parei. Li Nietzsche quando estava na oitava série — Diego Giuri, obrigado por me lembrar isso — e minha mente perturbada foi piorando. Depois me aproximei da computação devido ao isolamento, era como evitava as pessoas e mantinha o terror íntimo. Só fui descobrir tardiamente, em uma consulta de psicoterapia. Na faculdade de Ciências da Computação, tentava renegar a tendência à literatura e a tudo que remetia às humanas: Filosofia, Ciências Sociais, etc. Fiz de tudo para me livrar desse "peso", inclusive desfazer-me dos livros que adquiri durante a adolescência. Fiz isso duas vezes. Não dava, parecia vir comigo assim como veio o Transtorno Bipolar. Não era uma escolha. Por um tempo achei que era um defeito genético, em outros uma tremenda maldição. Certo dia, a computação, que já estava em percurso, resolveu juntar-se ao ofício literário. Ironicamente, aconteceu após a última vez que tentei pôr fim à vida.

E cá estou, sem conhecer a força que me trouxe até aqui. Talvez seja a mesma que me levou à mesa naquele fatídico ano de 1999. Fecho os olhos, sintonizo com Tristan und Isolde, fico arrepiado e às vezes choro. Juro que por muitas vezes suspeitei ser algum sintoma da doença bipolar, um estado de mania, um transe, sei lá. Nesse exato momento em que escrevo, exerço as habilidades adquiridas lendo um livro do Stephen King. Foi uma dica recebida graças a uma mordaz resposta de uma editora. Fiquei arrasado à primeira vista. “Essa merda de tendência veio comigo e ainda serve pra me causar vexame?” — pensei. Questionei novamente a faculdade e agora o ofício da escrita. Pus minha vaidade de lado e respondi o email. Recebi valiosas dicas — das quais jamais esperaria. A editora estava me ajudando! De impiedosa ela não tinha é nada. No entanto, tem sido diferente desde então. Treino constantemente e leio muito mais do que lia —mais que o dobro. Divido meu tempo com dois ofícios que exigem lados distintos do cérebro. Ironicamente, não me considero apto nem para um nem para outro. Essa é a parte que acredito ser da doença. Uma violenta baixa-estima. Mas não cabe aqui, talvez um outro momento discorra sobre.

Devido à essa força, tenho muitos textos publicados dos quais me envergonho. É a compulsividade, confesso. Porém, ninguém nasce pronto. Vejo-os como prática, foi preciso. Energia é ponto de mutação. Deixarei-os aqui. Quem sabe um dia, algum deles vira algo?

Enquanto isso, um obrigado a todos que me acompanham…