Desistir não é fácil

A história daqueles que jamais vencerão


Vivenciamos um tempo suspeito. Em cada compartilhamento sobre vencer as batalhas diárias encontramos uma fábula que nos enfiam goela abaixo: Você, só você é responsável pelo seu sucesso ou fracasso. E em meio a tudo isso me pergunto: Somos mesmo uma geração de vencedores? Porque não nos permitimos sentir a queda? E pior, porque não podemos também responsabilizar — sem necessariamente polarizar — a falta de empatia alheia como um pilar ausente em nosso crescimento?

Ninguém quer compartilhar como é precioso sentir o gosto da derrota e aprender em passos curtos como dar a volta por cima, sem otimismo barato e sem felicidade fabricada, indignas de serem um pilar e que não sustentam o aprendizado da vida. Ao que me parece, apenas a vitória é importante, pastamos em rebanho. Ruminamos a vitória sem sequer questionar a qualidade do pasto. Porém, no meio do turbilhão de vencedores, temos o seu subproduto: os que caem por não suportarem o peso da existência ou por motivos tão subjetivos que a ciência ainda não foi competente em encontrar respostas, contentando-se apenas com uma breve noção — não tão exata — dos sintomas. Tudo o que é demais sobra, certo? E quem tá fora quer entrar. E é sobre a crescente geração estratificada pelos ocultos protagonistas do fracasso que desejo trabalhar. Estão espalhados espalhados por aí no refugo que a sociedade produz, boa parte sem voz, ora incompreendidos, negativos demais, chatos, reclamões, apáticos, tristes, loucos ou entusiasmados. De todos os males, a apatia é o sintoma mais notável entre os que caem. Vamos pontuar na base do bom senso? Uma coisa é você, ser humano que não sofre do peso da existência cair, outra coisa são aqueles que tendem a cair caírem, certamente a queda e o ato de superação não serão os mesmos.

Entretanto, dizem que as mentes brilhantes costumam ser as mais perturbadas, as mais instáveis e as mais “fora da caixa”, só que para ser um vitorioso, você precisa estar nos moldes de uma caixa. É confuso entender tal dicotomia: É preciso estar fora da caixa para vencer, mas os vitoriosos parecem seguir um molde dessa caixa, onde se acomodam, para assim regojizar dos benefícios e dos louros que almejam. Os caídos, por sua vez, mantêm-se fora da caixa, talvez por força maior, essa que nem a ciência consegue explicar a solução. Por caírem com facilidade, conhecem cirurgicamente a rigidez do solo que estatelam-se, fazendo-os também pessoas únicas e diferenciadas.

Desistir? Não é fácil, ao contrário do que dizem. Desistir é doloroso, força sua consciência a criar, a sair do lugar para levantar novamente, a traçar um rumo alternativo, destruir e começar tudo de novo. Por esta ótica, talvez desistir seja mais angustiante do que continuar tentando e, quem sabe, permitir-se eventualmente (e não sempre!) à desistência faça você aprender de uma forma que jamais esperou. Então, da próxima vez que julgar um caído no chão pense: Positive aspects of negative thinking.

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