Carta à Theodore e Guilherme #1: Improdutibilidade

Uma que página me veio hoje a mente durante o trajeto volta do trabalho à minha casa…

Tenho passado uma fase meio complicada, talvez complicada porque eu tenha a tendência molda-la dessa jeito. Coisas boas tem me ocorrido nessas últimas semanas, ao mesmo tempo que novas, o que acaba engatilhando mecanismo para se defender. E nisso os quadrinhos retornam como escape, como meio de tentar expressar algo, descartar a mochila pesada que estou carregando, e mais leve, tentar viver o imprevisto de forma menos consciente e mais intuitiva.

Não quero fazer um sentido linear aqui, mas precisava jogar coisas ao vento, em algum lugar público, intimo, pouco visitado, silencioso. Silêncio que é a palavra, sentido, conceito que habita os temas dos meus devaneios mais recentes. E pensando nele, tentando elaborar uma minima coesão narrativa pra tentar torna-lo história, eu caio em terrível frustração, porque esta difícil desde o Coleção de Memórias retomar essa prática.

Não sei, talvez algo em mim morreu no coleção, e sendo isso é difícil arranjar potencia mesmo em meio a propostas interessantes, bons roteiros que me foram entregues por possíveis parceiros (para estes, peço perdão, mas ainda quero achar forças pra concretizar tais projetos).

Acho que eu to me curando de uma ressaca braba, e estou com duas opções: ou paro, ou continuo bebendo. Admito que continuar bebendo (quadrinizando) me traz uma imagem de maior felicidade em um possível futuro, apesar de saber o deposito de mim que ocorre sempre que faço quadrinhos. Não sei se outros quadrinistas são assim, mas nas análises que tenho feito essa minha intensidade afetiva com os quadrinhos e sua produção sempre vem a tona, quase como uma necessidade.

E sobre a página acima, talvez se estenda para algo maior. Agora cansado, prestes a ir pra cama, quero abandonar ela a você, aqui, neste ambiente. Talvez amanhã eu a delete, talvez a ame, já ache erros charmosos e queira arrumar um par, uma amante, mas agora, em seu estado silêncio, ela reflete os devaneios citados.