Bata Antes de Entrar (Knock Knock- 2015)

O sadismo pedagógico de Eli Roth (O Albergue) é usado aqui para desconstruir o ideário americano, que acredita que quanto mais reafirmar suas formas e roupagens tipicamente americanas. Protagonizado por Keanu Reeves no papel do arquiteto e pai de família dedicado Evan, o filme debocha dos status típicos, seja da família americana, da arte ou da hipocrisia das velhas mentiras inocentes das pessoas de bem acerca de suas responsabilidades e reais intenções.

É um filme sobre desconstrução.

Durante o final de semana de dia dos pais, um projeto inesperado o prende em casa enquanto sua família segue o plano de passar um alguns dias na casa de praia. A esposa Karen (Ignacia Allamand) é uma artista plástica, formando o casal mais perfeito que o sonho americano poderia conceber: Uma artista e um arquiteto em uma demonstração da típica família americana que está sempre disposta à construir e nutrir. Eis que bate à porta de Evan duas garotas que se perderam durante uma tempestade, e buscam abrigo e um telefone para chamar um Uber e assim seguir à uma festa. O ato inocente de deixa-las entrar (Afinal, ele poderia contê-las facilmente, né?) desencadeia uma revisão dos pequenos pecados de Evan de uma forma extrema, revelando a impotência do conceito de macho e pai de família.

Com aspecto galhofa principalmente pela premissa absurda e pela interpretação caricata de Keanu Reeves, é uma excelente demonstração do poder pedagógico do cinema de terror e suspense sob a ótica da sociedade americana, que recrimina o sexo, mas abençoa a violência, vindos desde clássicos como O Massacre da Serra Elétrica até os recentes Jogos Mortais e o próprio Albergue. Bata Antes de Entrar oscila entre um thriller psicológico e pequenas lembranças sobre como aquilo que dizemos aos outros, dizemos porque cremos não se aplicar à nós, e leva o espectador à inquietantes indagações sobre o que faria naquela mesma situação.