Yes! Filter!

Jeremy Kost — “fractured”

Não podemos culpar ninguém por tentar.

Somos crédulos de que algumas sementes nascerão mesmo que o solo não seja fértil. Acreditamos no poder invisível das pequenas coisas. Como o pensamento de cada um, gostamos de acreditar no vento no rosto que não vemos, mas, sentimos. Aí está a fórmula da religião, do fetiche e do suco verde. A pretensa sensação de que algo é maior, mais transcendente e que te fará brilhar.

É expressivo o número de pessoas que amam o cinema, a música, o teatro. Algo que esteja tratado para ser mostrado vai trazer esse reflexo glamouroso de nós mesmos. Seja na dor ou no rebolado. Eu, simples refém de tudo isso, ainda não sei lidar com a vida real e suas diversas luzes que não me favorecem. Com a música que falha a entrada e com os diversos atores errando o texto que eu tenho tão decorado na minha cabeça. Se isso não é (contra)cenar, eu ainda não sei o que é.

Por isso há tempos me dedico a descobrir o que somos por trás de todas essas projeções. Qual é o no filter da foto do instagram e como anda seu intestino por trás do seu sorriso e do seu discurso. Acuse-me do que quiser, mas, tento me despir e só não o faço inteiramente porque meu corpo ainda não está pronto para o aplauso de todos. Tento te despir para contracenar. E você sempre erra a marcação que estabeleci. Improvisamos então o jogo que não nos interessa. E é tão confortável.

Eu vou juntar meu dinheirinho então. Pra pagar pra você produzir pra mim o show que eu sei que não vai agradar, mas que, eu vou aplaudir e me colocar lá — no seu lugar- eu vou sair da mesa se você me chamar e vou te seguir como se você soubesse daquele segredo que só eu sei e que ninguém ainda entendeu. Como se você fosse me levar pra onde você mora e que lá também me coubesse. Só que no seu instagram, no seu olhar, e no canal de TV é tudo tão diferente que, quando eu não consigo me ver estrela no que você mostrou eu me apago. Fica escuro. E eu rezo pelo poder que não vejo. Onde está? No smartphone, no suco verde, no livro antigo ou no meu quadril? Se a luz se apaga pra você a minha cegueira é certa. Se eu não te expor, estou mudo. Fique,então, onde eu possa te ver. Com ou sem ensaio.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Theo Valadares’s story.