2005

b, t.
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Sep 1, 2018 · 1 min read

(eu) — Onde foi aquele menininho que sonhava em, algum dia, sair dessa bolinha azul?

(eu) — Você diz aquele garoto que chegou aqui me mostrando o coração através dos olhos? Ah, sim, lembro-me bem. Tratei de dar uma polida naquelas ideias mirabolantes. Onde já se viu sonhar com algo tão inalcançável?

(eu) — Mas… para ele aquilo era real!

(eu) — Hahahahaha! Não se preocupe, eu fiz com que ele encontrasse novas maneiras de enxergar a realidade. Afinal, a escala de cinza que compus pro filtro perceptivo visual dele é uma das melhores! Ele não enxerga, tampouco percebe, mais o azul, o vermelho, o verde, ou qualquer que seja a combinação dessa tripartite. Agora basta, pra ele, conseguir chegar ao final do dia, cinza como deve ser, com forças o suficiente pra deitar e começar um outro dia, cinza como sempre é. Agora, monocromia é sinônimo de realidade. Se antes estava insatisfeito com aquela bolinha azul, hoje se conforma com essa distorção cinzenta.

(eu)— Astronauta, astronauta! Volte! Volte! Eu… eu preciso de você. Não suporto mais esse reprodutor de mazelas em tons de cinza.

(eu) — *sigh*… Desculpe, infelizmente ela não me permite mais voltar. Espero que você possa voltar a enxergar as cores como um dia já foram. Talvez você precise de ajuda, mas não serei eu a te estender a mão.

(eu) — Astronauta, o que devo fazer? Astronauta, onde está você? Astronauta, tudo é cinza pra mim também…

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