Carta aberta aos Deuses do Olimpo

̶ ̶P̶r̶e̶z̶a̶d̶o̶s̶, não, muito formal.
̶C̶a̶r̶o̶s̶, não, muito e-mail de trabalho.
̶S̶e̶n̶h̶o̶r̶e̶s̶, não, aí fica simples, sem alma.

Vai no carioquês mesmo: E aí, beleza?

Ó, Zeus, Hera, Poseidon, Atena, Ares, Deméter, Apolo, Ártemis, Hefesto, Afrodite, Hermes e Dionísio (Não, Kratos não), o papo é com vocês hoje.

Gigante pela própria natureza; hino na Cerimônia de Encerramento (Foto: Thiago Barros)

Perdão se parece desrespeitoso chamar vocês de “vocês”, mas carioca trata qualquer um de igual pra igual — até os Deuses. Mas não é para faltar com respeito e sim para acolher, aproximar. Tamo junto, mermão.

Desde pequeno admiro a sua mitologia, sonho em ir à Grécia e sou o maior fã destes tais Jogos que você e seu filho Hércules criaram, Zeus. Mas eu sempre assisti a tudo só pela televisão. Até que naquele inesquecível 2 de outubro de 2009, o Rio foi anunciado como sede das Olimpíadas de 2016.

Maravilhosa e Olímpica, sugeri eu como manchete do Jornal dos Sports, em que eu trabalhava na época. Mandei bem, né, Atena?

O Maracanã tomado pelas cores da Cerimônia de Abertura (Foto: Thiago Barros)

Naquele dia, agradeci ao Deus que a gente clama tanto aqui no Brasil, mas também a cada um de vocês. Especialmente ao Dionísio, que já deveria até estar tomando uns vinhozinhos prevendo a festa por aqui. Mas agora pode falar: caipirinha é muito melhor, né não? E as mulatas? O samba?

Hoje, 22 de agosto de 2016, é o dia de uma das melhores ressacas da minha vida. Os últimos 19 dias foram de momentos inesquecíveis. Fui a pelo menos uma partida em cada dia da Rio 2016. Foram 21 sessões, do dia 3 ao dia 21. Menos do que eu queria, mais do que eu imaginava.

Vi futebol, tênis, vôlei, vôlei de praia, atletismo, polo aquático, ginástica, basquete, hóquei sobre a grama… Tudo isso na minha cidade. Vi o ouro inédito do futebol e as Cerimônias de Abertura e Encerramento no meu quintal de casa como gosto de chamar o Maracanã.

Verde, amarelo e OURO: Maraca na final do futebol (Foto: Thiago Barros)

O seu fogo, Apolo, estava queimando numa pira do lado da minha casa até ontem. Tu tem noção do que é isso, cara?

E graças a todos vocês, vi os nossos semideuses fazerem história.

Bolt correu como Hermes. Michael Phelps nadou como Poseidon. Neymar jogou com a garra de Ares, festejou como Dionísio. Protegida por Artemis, Simone Biles combinou a beleza de Afrodite e a sabedoria de Artena. Sem falar em Carmelo Anthony, Serginho, Isaquias… Que Olimpíada!

E o que falar do Parque Olímpico da Barra? O Espírito Olímpico exalava! (Foto: Thiago Barros)

Tudo isso em meio a previsões caóticas de dar medo até a você, Hades, deus do sub-mundo. Mas graças a Zeus, nada se confirmou.

Aliás, desculpem os humanos. Jesus já dizia: eles não sabem o que fazem. Humildemente, faço o mesmo aqui: peço que perdoem quem diminuiu a importância dos seus Jogos e ousou torcer para que algo desse errado. Mas é claro que vocês não iriam deixar.

Até o Engenhão ficou mais charmoso; primeiro jogo das Olimpíadas, no dia 3 (Foto: Thiago Barros)

Por isso, e por tudo o que vivi nos últimos 19 dias, meu “muito obrigado”. Zeus, você demorou 120 anos pra mandar seu Raio pro Rio de Janeiro, mas valeu cada segundo de espera.

Muito obrigado por me fazer ter ainda mais orgulho da minha cidade;
Muito obrigado por me fazer acreditar mais ainda no esporte;
Muito obrigado por me fazer curtir isso com minha esposa e minha mãe;
Muito obrigado por me fazer valorizar ainda mais amigos e família;
Muito obrigado por me fazer perceber o quanto nossos sonhos são possíveis.

A Lagoa Rodrigo de Freitas, palco do Remo e da Canoagem (Foto: Thiago Barros)

O esporte me proporcionou muitos momentos inesquecíveis in loco: final de Copa do Mundo, Opening Night e jogos da NBA em cinco arenas, jogo de NFL, UFC no Rio, em Curitiba e em Vegas, vitória do Brasil sobre a geração dourada da Argentina no basquete na casa deles, final de Copa das Confederações…

Mas nada igual ao que vivi nos últimos 19 dias. Papo reto!

Héstia, Deméter, Hera, Hades, Poseidon e Zeus, agradeçam a seu pai, Cronos, por mim. Digam que entendo que o tempo é complicado e que tudo sempre irá acabar, mas se for bom será inesquecível e viverá para sempre na memória.

E este período não poderia terminar de outro jeito que não um Carnaval na Cerimônia de Encerramento.

Afinal, o Rio de Janeiro sambou.

Sambamos no Encerramento! (Foto: Thiago Barros)

Nós temos a confiança de Zeus, o lado feminino de Hera, o mar de Poseidon, as perfeitas estações do ano de Deméter, as riquezas de Hades, o acolhimento de Héstia, a sexualidade e beleza de Afrodite, o Sol de Apolo, a força de Ares, a lua brilhante de Ártemis, a sabedoria de Atena, o êxtase de Dionísio, o fogo de Hefesto e a malandragem de Hermes. E continuamos lindos.

Por isso, perdão novamente, meus Deuses, mas o meu Olimpo é aqui (sem trocadilhos com a casa de shows, hein, cariocas).

See you in Tokyo: Encerramento, passando o bastão para o Japão (Foto: Thiago Barros)

Σας ευχαριστώ, ο Θεός! Θα σας δούμε στο 2020!
、神をありがとうございます! 2020年にお会いしましょう!
Obrigado, Zeus! Nos vemos em 2020!