Então é Natal…

Quando eu era criança, não tinha dúvida: queria ser jornalista. Comecei a ler folheando as páginas do O Globo. No caderno de Esportes, é claro. 20 e alguns anos depois, o sonho se tornou a realidade com muito menos glamour do que o esperado, mas mesmo assim, muita satisfação.

Depois que cresci um pouco, estabeleci algumas metas para minha carreira: queria trabalhar no Jornal dos Sports, pela história, no Maracanã, por ser um lugar mágico pra mim, no GloboEsporte.Com, por ser o maior portal do maior meio de comunicação, e no Flamengo, meu clube de coração.

Felizmente, hoje, com 26 anos, já realizei tudo isso. Óbvio, ainda tenho mais metas que foram surgindo com o passar do tempo, mas só de pensar em tudo que já vivi graças ao esporte e ao jornalismo, agradeço todo dia. Mesmo com um momento atual tão ruim para a nossa profissão.

Eu vivi muitos momentos inesquecíveis desde 2008, quando comecei a viver mais intensamente o jornalismo no JS. Pouca coisa perto do que muita gente da profissão já viveu, é verdade. Mas me orgulho de cada detalhe. E o maior, sem dúvidas, é ter entrevistado/conhecido/convivido com Zico.

E o que o Natal tem a ver com isso?

Hoje é dia 3 de março, aniversário Dele, e para nós, rubro-negros (ah, esqueci de falar que sou contra muitos dos clichês do jornalismo, inclusive a baboseira de um profissional não poder torcer), de forma carinhosa e sem desrespeito às religiões, é o nosso Natal.

E como se faz em todo Natal, além de ganhar presentes, devemos celebrar Sua chegada e agradecer pelos momentos que vivemos. Por isso, resolvi agradecer e relembrar alguns momentos importantes ao lado do Zico — que obviamente, não se lembra de nenhum deles.

Logo na primeira ida à Gávea

A primeira vez que fui à Gávea foi com meu pai. Eu devia ter 5 ou 6 anos. Fui lá para ver o Romário, depois do primeiro jogo que assisti no Maracanã. Mas, para minha surpresa, quem eu encontrei? Zico, autografando cópias do livro “Zico Conta Sua História”, que, claro, meu pai comprou pra mim na hora.

É claro que na época eu não sabia quem Ele era de verdade. Claro que já tinha ouvido falar, visto alguns jogos no Japão na TV, e outros do Beach Soccer em Copacabana, que minha mãe me levava para assistir, mas não tinha noção de tudo o que ele representava.

Só fui ter mesmo depois de ler o livro, que tenho até hoje, com o autógrafo na primeira página . Aliás, é o primeiro autógrafo que lembro de ter pego (e é um dos únicos que ainda tenho, diga-se de passagem). Pena que o livro tá na casa da minha mãe e não vou conseguir postar uma foto dele aqui agora.

Surpresa na redação do JS

Mas sabem como é sonho de criança, né? Parece que nunca vai se realizar. Aí, uns 15 anos depois, estagiando no JS, em um dia normal de redação, pinta na escadinha no prédio da Rua do Matoso ele, Zico. O frenesi foi grande, porque, mesmo em uma redação esportiva, Ele chegou totalmente de surpresa.

Zico tinha ido falar com o dono do jornal à época, e ninguém sabia. Na saída, é claro, fui atrás dele — ou melhor, fomos, porque a equipe toda desceu. Para minha sorte, tinha acabado de comprar uma camisa do Flamengo branca que estava na minha mochila.

Conversei com Ele rapidamente, tiramos fotos e ele a autografou. Mais uma vez, parecia ser alguma coisa de destino. Qual a chance de comprar a camisa, levar na mochila pro Jornal e encontrar o Zico? É a mesma de ir à Gávea pela primeira vez e encontrá-lo numa tarde de autógrafos, acho.

Quintino: abençoado pelos Deuses

Sabem negócio de destino? Ou podem chamar de “vontade de Deus”, como eu disse no meu Casamento. Eu sou meio cético, mas não dá pra duvidar disso no momento em que você conhece a mulher da sua vida em um evento de quem? Zico, é claro.

Nunca vou me esquecer: o dono do JS, aquele que o Zico tinha ido visitar, me chamou à sala dele e me falou: “Olha, sei que você está de folga, mas tem um evento importante, do Zico, em Quintino, no final de semana, e eu quero que você vá”. Na hora, óbvio, lamentei a perda de folga.

Mas era um pedido que não poderia recusar. Vindo do dono do jornal e para fazer um evento do Zico. Então, acordei cedo, fui pra redação, peguei o carro com o nosso fotógrafo Wallace Teixeira e partiu Quintino! Era a inauguração da rede de escolinhas Zico 10, que tinha que ser lançada no bairro dele.

Foi um dia tão bom que eu mesmo editei a página que iria pro jornal quando cheguei à redação. Na foto principal, Zico falando para as crianças e bem em um cantinho, dois jornalistas anotando cada palavra: eu, e aquela que viria a ser minha esposa.

Já conhecia a Aline de vista, pois era amiga de um amigo, e conversei com ela porque ela conhecia o meu fotógrafo de vista. Batemos papo um tempão, ela ainda me passou os dados de uma pelada que rolou (tive que ir embora para outra pauta) e hoje estamos aqui, casados há seis meses e juntos há seis anos.

Com a bênção de Deus. Ou melhor, dos Deuses. O Cara Lá De Cima e o Cara Daqui Da Terra.

Primeira vez no gramado do Maracanã

E o que dizer da primeira cobertura no gramado do Maracanã? É claro que tinha que ter o Zico, né? Foi no Jogo das Estrelas em 2009 e logo depois da conquista do hexa! Teve Romário, Adriano, Pet… Uma experiência muito legal para uma pessoa que sempre sonho estar ali.

Não cheguei a tirar foto com ele, mas fiz matéria e, pra registrar, tirei uma foto da minha mão com o gravador, gravando o que ele tava dizendo para todos os repórteres. Tá valendo? Sim, a mão com a fitinha é a minha.

Tá, eu era um moleque, novato e dislumbrado com aquela oportunidade de estar ali. Quem não estaria?

Eu trabalhei com Zico (!) no Flamengo (!!)

Ativo nas redes sociais desde sempre, em 2009 recebi um convite do Ricardo Hinrichsen, responsável pelo marketing do Flamengo, para auxiliar em uma nova empreitada do clube: a Flapédia, uma enciclopédia do Flamengo. E foi dali que comecei a trabalhar no clube.

Após alguns meses, surgiu uma vaga no departamento e o Juan Saavedra - a quem agradeço demais por muitas evoluções na minha carreira, me chamou. Fiquei no clube por dois anos, até meados de 2011. E, apesar dos pesares, no geral, como foi legal esse período.

“Fui” campeão brasileiro, estadual e da Copinha no futebol, sul-americano no basquete e carioca no futsal. Trabalhei com Pet, Léo Moura, Adriano, Bruno, Ronaldinho, Marcelinho Machado… E Zico! Em 2010, quando ele chegou ao clube para trabalhar na diretoria do futebol, eu estava lá no site oficial.

Essa foto aqui em cima é de uma entrevista exclusiva que fiz com Ele em uma pré-temporada. Registro do amigo Alexandre Vidal que guardo com carinho, de um momento um pouco depois de eu ter contado sobre aquela história de Quintino, que contei aqui em cima.

Infelizmente, durou pouco. Por motivos surreais, de acusações infundadas de pessoas de dentro do clube, Zico ficou só três meses trabalhando comigo. Foi pouco tempo, ele certamente nem se lembra de mim, mas eu não esqueço os momentos divertidos e de como “Deus” é “um de nós”.

Lembro das resenhas nos ônibus, nas viagens, com Ele contando suas histórias da Sua época de jogador. Lembro das entrevistas que me deu. E não tem como não lembrar de um dia estar no Shopping Tijuca, meu telefone tocar e eu, na hora, virar pra Aline e dizer:

“Caramba! Deus tá me ligando”

Rimos pra caramba, e quando eu atendi, ele mandou:

“Fala, Thiago!”

Cara, eu trabalhava com o Zico, ele me ligava e me chamava pelo nome. Não dá pra pedir muito mais do que isso, né?

“Para Thiago e Aline, com carinho, Zico”

Sempre brincamos que o Zico seria nosso padrinho de Casamento. Isso não foi possível, mas na chance oportunidade após o Casório, tive que pedir a Ele pra autografa uma camisa que tenho, usada por Ele em um jogo beneficente, com uma dedicatória para mim e para a Aline.

Foi super rápido, no Jogo das Estrelas do ano passado, que coincidentemente, foi meu último trabalhando no Maracanã. Fiquei esperando, até tarde, ali nos corredores próximos ao vestiário. Quando ele saiu, claro, todo mundo foi em cima dele. Repórteres e torcida. Mas eu consegui.

E ela vai pra um quadro aqui na nossa casa!

FlAmém!

Enfim, o texto ficou enorme, mas é proporcional ao tamanho da admiração que tenho pelo Zico. Provavelmente, ninguém leu tudo até aqui, tampouco esse texto vai chegar a Ele, mas senti a necessidade de traduzir em algumas (tá, muitas) palavras o que é esse Natal para mim.

Se é destino, vontade de Deus ou só coincidência mesmo, não sei, mas tenho apenas a agradecer. Ao que quer que isso seja, ao esporte, ao jornalismo e ao Zico, por esses momentos fundamentais não só na minha vida profisissional, como na pessoal também.

Feliz Natal. FlAmém. Ei, ei, ei, o Zico é o nosso rei!
PS: Sim, eu postei o texto às 03:03 do dia 03/03.